Quatrocentos hectares de vinhas afetadas pelo mau tempo em Alenquer

Prejuízo estimado é de 1,7 milhões de euros.

25 de fevereiro de 2026 às 12:53
Arruda dos Vinhos é um dos concelhos com mais estradas colapsadas Foto: Direitos Reservados
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Cerca de 400 hectares de vinha foram afetados pelo mau tempo das últimas semanas no concelho de Alenquer, o que compromete a campanha deste ano, alertou esta quarta-feira a Comissão Vitivinícola Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CVRLVT).

Os 400 hectares de vinhas afetadas somam um prejuízo de 1,7 milhões de euros, de acordo com os prejuízos declarados à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT) e citados em comunicado pela CVRLVT.

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Segundo esta Comissão Vitivinícola, "estes números já comprometem a campanha (...) deste ano em Alenquer, e colocam várias explorações em situação de elevada vulnerabilidade financeira".

Nos 400 hectares afetados, incluem-se áreas de exploração onde se registaram deslizamentos de terras, abatimentos e deformações do solo, destruição de armações (postes e arames), danos em sistemas de drenagem e acessos internos, impedindo a circulação de maquinaria e comprometendo operações essenciais no arranque do ciclo vegetativo.

Além da reposição do potencial produtivo, a CVRLVT alertou que "está em causa a sobrevivência económica de parte significativa das 2.000 explorações familiares, cooperativas e empresas que sustentam o emprego, a fixação de população e a atividade económica em territórios rurais estratégicos".

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Para a CVRLVT, "estes impactos surgem num momento particularmente crítico para o setor vitivinícola nacional e regional", quando enfrenta uma conjuntura internacional marcada pela quebra estrutural do consumo nos principais mercados, pressão descendente sobre os preços pagos à produção, aumento significativo dos custos de energia, mão-de-obra e fatores de produção, necessidade crescente de investimento na adaptação às alterações climáticas e forte pressão sobre a tesouraria das explorações devido à acumulação de 'stocks'.

"A ocorrência destes fenómenos extremos agrava uma situação económica já de si complexa e fragilizada", concluiu aquela entidade, pedindo por isso apoios.

Entretanto, mais 22 concelhos juntaram-se aos 68 municípios abrangidos pela situação de calamidade decretada pelo Governo em janeiro nas zonas afetadas pelo mau tempo, segundo um despacho publicado na terça-feira em Diário da República.

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Os 22 concelhos são Alcoutim, Alenquer, Almeirim, Alpiarça, Anadia, Arganil, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Baião, Benavente, Cartaxo, Castelo de Paiva, Chamusca, Coruche, Faro, Mafra, Monchique, Mortágua, Oliveira do Hospital, Salvaterra de Magos, Sobral de Monte Agraço e Tábua.

No diploma, o Governo relembra que durante os meses de janeiro e fevereiro, o território continental foi "sucessivamente afetado por vários fenómenos meteorológicos intensos e anómalos, que resultaram num cenário de precipitação persistente e com implicações profundas na estabilidade das regiões afetadas".

A situação de calamidade é o mais grave de três estados e, de acordo com a legislação "pode ser declarada quando, face à ocorrência ou perigo de ocorrência de acidente grave e/ou de catástrofe, e à sua previsível intensidade, se reconhece a necessidade de adotar medidas de caráter excecional destinadas a prevenir, reagir ou repor a normalidade das condições de vida nas áreas atingidas pelos seus efeitos".

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Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

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