Setor do leite poderá enfrentar "desastre económico" devido ao aumento dos custos de produção nos Açores

Jorge Rita considera que o momento exige medidas "excecionais", apontando que "a guerra era para dois dias, mas ninguém sabe quando terminará".

13 de março de 2026 às 17:38
Setor do leite poderá enfrentar "desastre económico" devido ao aumento dos custos de produção Foto: Edgar Martins
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O presidente da assembleia geral do Centro Açoriano de Leite e Laticínios (CALL) alertou esta sexta-feira para a possibilidade de um "desastre económico" no setor leiteiro nos Açores, em Portugal e na Europa devido ao aumento dos custos de produção.

"Estamos a antever uma situação muito difícil que pode ser um desastre económico para a produção de leite na região, no país e na Europa", afirmou Jorge Rita, em declarações à agência Lusa.

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O alerta foi abordado durante a assembleia geral do CALL, realizada na quarta-feira, na sede da Associação Agrícola de São Miguel, onde foi analisada a situação do mercado dos laticínios e a evolução dos mercados nacional e internacional.

Jorge Rita, que é também presidente da Federação Agrícola dos Açores e da Associação Agrícola da Ilha de São Miguel, disse que as organizações manifestaram as dificuldades sentidas pelos produtores.

O setor, referiu, enfrenta um cenário "particularmente preocupante", marcado pela descida do preço do leite pago à produção e pelo aumento dos custos de produção, como combustíveis, energia, gás, fertilizantes, matérias-primas e transportes marítimos, devido "à conjuntura internacional marcada por novos conflitos armados, que contribuirá para o aumento das taxas de juro e da inflação".

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"Neste momento, em termos da agricultura na região, o setor que está a preocupar mais é o leiteiro, porque os custos de produção estão todos a aumentar. E vão aumentar muito mais", sustentou o dirigente associativo.

Jorge Rita disse que existe uma preocupação transversal em toda a fileira, incluindo na indústria.

"Sem leite e sem produtores não há indústria", salientou, apelando ao "bom senso" da indústria para que "perceba o lado do produtor".

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Jorge Rita defendeu uma resposta rápida das autoridades, considerando que o momento exige medidas "excecionais", apontando que "a guerra era para dois dias, mas ninguém sabe quando terminará".

"Para situações extraordinárias urgem soluções extraordinárias. E este é o momento para começarmos a preparar todas estas situações", afirmou, apelando à intervenção dos Governos Regional e da República e da União Europeia para minimizar os impactos do aumento dos custos de produção.

Na reunião, que contou com a participação da Associação Agrícola de São Miguel, da Associação Agrícola da Ilha Terceira, do Instituto de Alimentação e Mercados Agrícolas (IAMA) e de representantes da indústria de laticínios --- das empresas Lactaçores, Insulac, Prolacto, BEL e PRONICOL ---, foram expostas as dificuldades enfrentadas pelos produtores de leite.

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"Estamos praticamente no trapézio sem rede", vincou o dirigente associativo.

Além disso, com a aproximação de um novo quadro comunitário de apoio, será necessário realizar vários investimentos nas explorações, explicou ainda.

De acordo com Jorge Rita, "o agravamento da conjuntura atual, associado à falta de mão-de-obra, irá aumentar a desmotivação e a descapitalização dos produtores".

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"A redução do número de produtores e da produção de leite poderá colocar em risco a sustentabilidade da fileira", apontou.

As dificuldades manifestadas na recente assembleia geral do Centro Açoriano de Leite e Laticínios constituem "um mote para uma reflexão conjunta para "uma reação proativa".

"Foi uma boa reunião para refletirmos em conjunto e para apresentarmos documentação para que os Governos Regional e da República e a União Europeia estejam atentos a este momentos que estão a acontecer no mundo, devido à guerra, e sobre o que poderá acontecer ao setor mais importante da economia dos Açores", disse o representante.

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