Tempestades provocaram prejuízos de mais de 100 milhões de euros na Beira Baixa

Durante o período crítico, o Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Beira Baixa respondeu a 2.049 ocorrências.

19 de fevereiro de 2026 às 17:31
Chuva Foto: Getty Images
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As tempestades provocaram prejuízos de mais de 100 milhões de euros (ME) na Beira Baixa, revelou esta quinta-feira o presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil, João Lobo, após uma reunião extraordinária deste órgão.

Este valor, metade atribuído ao prejuízo na floresta e o restante aos danos em habitações, estruturas, património cultural, associativo e religioso, ainda não está fechado e, segundo João Lobo, irá subir.

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Durante o período crítico, o Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Beira Baixa respondeu a 2.049 ocorrências.

Esta quinta-feira, ainda há 64 pessoas que não voltaram às suas casas e 300 habitações sem energia, além de algumas falhas nas comunicações.

O também presidente da Câmara de Proença-a-Nova e da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa ressalvou que o maior volume de prejuízos se concentra em seis dos oito concelhos da região (Castelo Branco, Vila Velha de Ródão, Proença-a-Nova, Sertã, Oleiros e Vila de Rei), estando o concelho da Sertã na liderança dos danos apurados.

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No distrito, "Covilhã, Belmonte e Fundão não foram, felizmente tão afetados, tal como Idanha-a-Nova e Penamacor".

Os danos que os seis municípios mais afetados têm, até esta quinta-feira, "orçados em infraestruturas públicas, naquilo que são as empresas, as associações, a parte religiosa, andam à volta já dos 50 (ME). Relativamente à floresta, dado o que nos foi transmitido pelo Instituto de Conservação da Natureza e Floresta (ICNF), mas que é provisório, traduz prejuízos também na ordem dos 50 (ME)".

No que respeita à floresta, "essa foi outra das preocupações, transversal a todos os serviços municipais, relativamente àquilo que são os milhares e milhares de quilómetros de rede viária florestal que é preciso desimpedir".

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"Portanto, aqui há necessidade, evidentemente, de os municípios fazerem o seu trabalho".

João Lobo deu conta de que "Vila de Rei foi o primeiro a tomar a iniciativa, através de edital, que depois será replicado por todos os municípios. Os proprietários privados, evidentemente, têm a responsabilidade de resolver, mas os municípios, o ICNF e as Forças Armadas, articulação que está a ser feita ao nível do Governo, no sentido dessas entidades apoiarem o trabalho dos municípios".

"Mas também as empresas privadas serão chamadas a fazer esse trabalho".

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Este é um trabalho feito contrarrelógio, com a aproximação do tempo quente, mas "fala-se do distrito de Castelo Branco, mas também Leiria e Coimbra".

"É uma área imensa que é preciso desobstruir e é preciso que a indústria transformadora tenha também capacidade para acolher esse material lenhoso e dar mais valias aos proprietários e ao território".

Adicionalmente, "é preciso depois tratar também as pragas que se vão instalar, relativamente à madeira que está caída".

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"Há aqui várias dimensões do problema, mas urge haver respostas, quer do ponto de vista da articulação, como disse da parte do Governo, portanto, do Ministério da Agricultura e da Sustentabilidade das Florestas, mas também com as outras entidades".

João Lobo lembrou que "o primeiro-ministro referiu haver um Plano de Recuperação e Resiliência para este território, portanto, a expectativa que existe e daquilo que também tem sido a articulação com a Associação Nacional de Municípios Portugueses, é a de que haja apoios e muito deles a fundo perdido".

O responsável deu ainda nota da consciencialização de todos de que estes fenómenos climáticos extremos serão cada vez mais frequentes, pelo que "a formação, no que toca à segurança, deve começar no primeiro ciclo, para se saber interpretar e perceber os avisos e como se deve enfrentar condições atmosféricas adversas".

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Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

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A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.

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