Trabalhadores das IPSS manifestaram-se no Porto para exigir retomar das negociações
Trabalhadores acusam a confederação de rever o acordo coletivo de trabalho "nas costas" dos sindicatos afetos à CGTP
Cerca de três centenas de trabalhadores de IPSS concentraram-se esta quinta-feira frente à sede da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), no Porto, para exigir o retomar das negociações com os sindicatos afetos à CGTP.
"Numa jogada [a CNIS] chegou a acordo com os sindicatos menos representativos do setor, deixando de fora os sindicatos que de facto representam a maioria dos trabalhadores", disse à Lusa o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, que esteve presente na manifestação.
A CNIS acordou a revisão do contrato coletivo de trabalho "nas costas da comissão negociadora sindical mais representativa dos trabalhadores das Instituições de Solidariedade Social (IPSS), e acordou-a precisamente com os sindicatos menos representativos dos trabalhadores. Quando os trabalhadores não são ouvidos, só nos resta uma opção, a greve nacional dos trabalhadores do setor".
"Isto teve objetivos concretos, que foi não querer discutir, não querer responder aquilo que são as reivindicações justas, as reivindicações dos trabalhadores, e obviamente nós não podemos aceitar isso", sustentou.
Segundo o dirigente da CGTP, não se pode esquecer que os trabalhadores "todos os anos têm a necessidade de vir para a rua, de se manifestar, de lutar por melhores condições de vida, por melhores condições de trabalho, por melhores salários".
"Os trabalhadores do setor social não podem esquecer que são trabalhadores com horários de trabalho completamente desregulados, são trabalhadores que dedicam muito da sua vida a uma causa que é uma causa de todos, uma causa comum, são trabalhadores que constantemente são vistos pela sociedade com o maior carinho possível, são aqueles trabalhadores que tratam dos nossos, e depois são muito maltratados, são constantemente maltratados", afirmou.
Por isso, "exigimos que a CNIS negoceie seriamente com os sindicatos com mais trabalhadores sindicalizados --- CESP/FEPCES, FENPROF, SEP, SIFAP, FESAHT, SFP, STSSSS e STSS --- em vez de se limitar a fazer acordos para aumentos de migalhas com os sindicatos da UGT".
"Sei, sem margem para dúvida, que é mais fácil chegar a acordo com quem abre caminho para esse acordo, um acordo que não corresponde àquilo que são os objetivos dos trabalhadores, do que sentar e conversar com aqueles que, de facto, querem elevar e melhorar as condições de vida de quem trabalha", referiu Tiago Oliveira.
Os trabalhadores entregaram um abaixo-assinado em que exigem a negociação e a resposta àquilo que foi o caderno reivindicativo apresentado, nomeadamente "a aplicação do salário mínimo nacional, que seja aplicado os 1.050 euros do salário mínimo nacional, com um aumento para as restantes tabelas salariais no mínimo de 15%, cerca de 150 euros".
"A CNIS diz todos os anos que não tem capacidade para aumentar salários porque os protocolos com o Estado estão sempre atrasados, foi esse o pretexto em 2025. Este ano, já avançam com aumentos salariais, não havendo protocolos assinados. Quero dizer isto: afinal havia dinheiro para ir mais longe no ano passado (2025) e a CNIS não foi mais longe porque não quis", criticou.
O protesto destes trabalhadores, que inclui uma greve de 24 horas e uma vigila frente à sede da CNIS, além da manifestação, foi organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), em colaboração com outros sindicatos representativos destes trabalhadores, afetos à CGTP.
Contactado pela agência Lusa, o presidente da CNIS afirmou que as negociações não estão terminadas e que não foi fechado nenhum acordo com os sindicatos afetos à UGT, pelo que a confederação mantém-se disponível para continuar a negociar com os restantes sindicatos.
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