Um quarto de mais de mil inquiridos já pensou em abandonar estudos em Coimbra face aos custos

Inquérito aponta para um preço médio do quarto de 312 euros, com cerca de dois terços (65,2%) a pagar 300 euros ou mais por um quarto em Coimbra.

24 de agosto de 2026 às 13:30
Universidade de Coimbra Foto: Ricardo Almeida
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Um inquérito realizado pela Associação Académica de Coimbra (AAC) conclui que um quarto dos estudantes já pensou em abandonar o ensino superior devido aos custos, com dois terços a pagar 300 euros ou mais por um quarto.

De acordo com o inquérito 'online' realizado em agosto à comunidade académica, com um total de 1.039 respostas validadas, 24,6% dos estudantes já equacionou suspender a matrícula ou abandonar os estudos devido aos custos associados ao ensino superior, como alojamento, alimentação, transportes e material de estudo.

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"A habitação é o principal obstáculo à permanência dos estudantes no ensino superior", afirmou à agência Lusa José Machado, presidente da AAC, entidade que divulgou esta segunda-feira as conclusões do estudo, juntando também recomendações ao Governo para dar resposta ao problema do acesso a alojamento estudantil.

O inquérito aponta para um preço médio do quarto de 312 euros, com cerca de dois terços (65,2%) a pagar 300 euros ou mais por um quarto em Coimbra.

Cerca de 32% dos inquiridos refere que não tem contrato formal de arrendamento e 28,6% gasta entre 51% e 70% do seu orçamento mensal em alojamento (12,3% gasta mais de 70%).

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Mais de metade (52,7%) dos estudantes que responderam ao inquérito afirmou que o preço e disponibilidade da habitação condicionaram total ou parcialmente a escolha da cidade ou instituição de ensino superior.

Face aos resultados, a AAC defende a criação de um contrato tipificado para o arrendamento estudantil, com caução legalmente limitada e regras claras, o funcionamento ininterrupto do Observatório do Alojamento Estudantil para uma monitorização mais atualizada da evolução dos preços dos quartos no país, e o estabelecimento de uma plataforma pública de intermediação de alojamento, com certificação realizada pelo Estado.

Para José Machado, o número de alunos que continua a estar em quartos arrendados sem qualquer contrato "preocupa bastante", considerando que estes estudantes "estão expostos a situações de abuso dos senhorios e despejos forçados".

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Segundo o presidente da direção-geral da AAC, o Governo "não pode pactuar com este tipo de práticas", criticando o facto de o programa de apoio ao pagamento de rendas não preveja a inclusão de faturas.

"A solução final para este problema de habitação é a criação de mais residências e camas públicas, mas no curto prazo tem de haver uma resposta urgente", defendeu José Machado.

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