Um terço das escolas com falta de professores todo o primeiro período
Inquérito aos diretores confirma realidade preocupante e mostra que 77% das escolas está a recorrer a docentes sem formação pedagógica, baixando a qualidade do ensino.
Um terço (34%) dos agrupamentos e escolas não agrupadas estiveram todo o 1.º período letivo com pelo menos um horário de professor por preencher, revela um inquérito do movimento Missão Escola Pública (MEP) que foi respondido por 222 (27%) dos 808 diretores de agrupamentos e escolas não agrupadas de Portugal continental.
Já 41% das escolas teve pelo menos um horário sem docente mais de um mês e 70% mais de uma semana. Por regiões, em Lisboa e Vale do Tejo, 40,6% dos agrupamentos reporta pelo menos um horário por ocupar todo o 1.º período, o Algarve 50%, o Alentejo 28,6%, o Centro 36% e o Norte 22,1%. “Há uma franca disseminação territorial do problema” , refere o MEP. Os grupos de recrutamento mais afetados são o 1.º ciclo, Educação Especial e Português.
Para combater a falta de docentes, 62,2% dos diretores diz recorrer à atribuição de horas extraordinárias, 50,5% ao completamento de horários e 24,8% ao corte nas medidas de apoio. O inquérito revela também que 77% das escolas admite o recurso a professores não profissionalizados, sem formação pedagógica, o que o MEP considera “um risco sério para a qualidade do ensino”.
Outra solução tem sido o adiamento da aposentação de docentes, mediante um suplemento de 750 euros (1514 aderiram este ano letivo), com 57% dos diretores a admitir que, no seu agrupamento, pelo menos um professor tomou essa opção. No entanto, o MEP nota que no Norte e no Centro a percentagem de docentes a adiar a reforma é “elevada” (60% e 56,1%, respetivamente), apesar de haver “baixos níveis de escassez docente”, considerando por isso a medida “economicamente danosa”.
O inquérito revela ainda que os principais problemas apontados pelos diretores são a falta de assistentes operacionais, com 67,6% a referi-lo, seguida da burocracia (63,1%), falta de professores (43,7%), indisciplina dos alunos (30,2%) e processos concursais (23,9%).
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