Secretário-geral da Fenprof José Feliciano Costa disse que os professores do primeiro ciclo e os educadores do pré-escolar precisam de uma equidade com os outros docentes.
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Dezenas de professores de primeiro ciclo e educadores do pré-escolar exigiram esta sexta-feira a redução da carga horária e eliminação de funções não pedagógicas num plenário em Lisboa em que entregaram à tutela um abaixo-assinado com 16 mil subscritores.
Cerca das 14h00, dezenas de docentes em monodocência (professores do primeiro ciclo do ensino básico e educação pré-escolar) e familiares, incluindo algumas crianças, participavam na concentração convocada pela Federação Nacional de Professores (Fenprof).
Presente na concentração, o secretário-geral da Fenprof José Feliciano Costa disse à Lusa que os professores do primeiro ciclo e os educadores do pré-escolar precisam de uma equidade com os outros docentes, o que neste momento "não existe", sublinhando as especificidades da monodocência, que a federação exige que sejam reconhecidas pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI).
"Nomeadamente um horário de trabalho, que tem que ser condizente com as suas responsabilidades, uma redução da componente letiva, que tem que ser também igual à dos outros colegas", explicou José Feliciano Costa.
O professor de primeiro ciclo João Pereira, presente na concentração, disse à Lusa que existe uma grande diferença no tratamento de professores de primeiro ciclo em comparação com os docentes de segundo e terceiro ciclo e ensino secundário.
"Os professores do 1.º ciclo, no horário, têm 25 horas letivas. Todos os outros professores do 2.º, 3.º ciclo e secundário têm 22 horas letivas. Os professores do ensino especial também têm 22 horas letivas", criticou.
O professor indicou ainda que desempenha funções que não têm nada a ver com dar aulas, como limpar computadores, vigiar os intervalos, organizar material, entre outras.
"Em vez de estarmos, nas nossas horas não letivas, a trabalhar em conteúdos pedagógicos, em formação, põem-nos a fazer trabalho de limpeza, que é um trabalho muito digno e é essencial para as escolas - todas as profissões são dignas -, mas não nos venham depois exigir determinados resultados ou empenho na parte pedagógica", destacou.
O excesso de crianças por turmas também foi criticado pela educadora de infância Amália Gonçalves, que disse à Lusa que muitas vezes as turmas do pré-escolar têm 25 crianças e que o número ideal deveria ser de 20 ou 15 alunos.
"Torna-se difícil acompanhar e conseguir dar resposta a todas pelo excesso de número de crianças por grupo e por turmas tendo em conta as suas especificidades... Isso traz um desgaste grande", referiu a educadora, concordando que existem desigualdades entre os setores de ensino.
Na concentração, que começou com música, os participantes exibiam cartazes a exigir "igualdade no calendário escolar, horário docente e reduções por antiguidade".
O evento terminou perto das 16h00 com a leitura de exigências referentes à valorização da carreira dos profissionais, aprovadas por unanimidade pelos participantes.
Também foi entregue uma carta reivindicativa destes docentes, a pedir as mesmas condições de horário de trabalho em relação dos restantes níveis de ensino, um número máximo de 19 alunos por turma, entre outras exigências.
Os mais de 30 mil docentes em monodocência existentes em Portugal representam cerca de 30% do total de professores no país, segundo José Feliciano Costa.
O evento contou com a presença do Sindicato dos Professores do Norte, do Sindicato dos professores da Grande Lisboa, entre outros, e ainda compareceu a candidata presidencial Catarina Martins e o Partido Comunista Português.
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