‘Vitamina P’: porque é que é importante sentir prazer com o que comemos
Benefícios escondidos da satisfação.
Sentir prazer com a comida traz benefícios para a saúde. Saborear os alimentos auxilia a digestão e pode ajudar a melhorar a sua relação com a alimentação, inclusive a superar distúrbios alimentares.
Durante vários anos, os investigadores estudaram a ciência por detrás da alimentação por prazer e descobriram que, fisiologicamente, o prazer que as pessoas obtêm com a comida ocorre tanto na boca como no cérebro, estando relacionada com a libertação de hormonas de bem-estar, refere o Healthline.
"Qualquer tipo de prazer, incluindo o prazer da comida, leva à libertação de dopamina no cérebro", explica a terapeuta, nutricionista e fornecedora certificada do grupo
, da organização de nutrição e bem-estar
. "A dopamina é muitas vezes chamada de ‘hormona do bem-estar’, porque ativa as vias de recompensa no cérebro, o que ajuda a promover a felicidade, a calma, a motivação e o foco", explica Storch.
Apesar de alguns estudos mais antigos, publicados em 2011, indicarem que as pessoas com obesidade podem ter fraca sensibilidade à dopamina (o que as leva a comer em excesso para obter o prazer adequado da comida), quando esta relação funciona corretamente, é possível obter benefícios físicos. "Quando estamos relaxados em resposta a uma experiência alimentar prazerosa, o nosso sistema nervoso entra em modo de descanso e digestão, o que nos permite decompor e utilizar plenamente os nutrientes dos alimentos que ingerimos", refere a nutricionista, ao Healthline.
Numa revisão sistemática de 2020, foram analisados 119 estudos sobre a ligação entre o prazer alimentar e uma dieta saudável. Desses, 57% mostraram associações favoráveis entre o prazer alimentar e os resultados alimentares positivos.
Por exemplo, um estudo de 2015, associou um maior prazer alimentar a um estado nutricional mais elevado. Outros estudos enfatizaram a importância de obter prazer com alimentos saudáveis para promover a manutenção de uma dieta nutritiva e equilibrada.
Sarah Gold Anzlovar, nutricionista e conselheira certificada de alimentação intuitiva na mesma organização, indicou que "existe a crença de que os alimentos ‘saudáveis’ têm de ser insípidos ou não têm um bom sabor", mas que "quando comemos alimentos de que gostamos, a satisfação aumenta, o que pode realmente melhorar a qualidade da dieta e reduzir a hipótese de comer em excesso ou de episódios de compulsão alimentar", completou.
De acordo com Anzlovar, outros benefícios de uma alimentação prazerosa são o desenvolvimento de uma maior conexão social (em reuniões familiares, por exemplo), o conforto físico e emocional (como a sensação de comer uma sopa quente quando estamos doentes) e até conectar-nos à nossa herança cultural, através da ingestão de pratos tradicionais ou que nos suscitem nostalgia.
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