Voluntários fazem mais de 200 quilómetros em missão de solidariedade
Ajuda chega dos quatro cantos de Portugal.
Mais de 200 quilómetros ligam Santo Tirso a Vieira de Leiria, "um já ali" para quem faz da solidariedade missão e rumou às zonas afetadas pelo mau tempo para "dar braços" à ajuda.
Luís, bombeiro voluntário em Santo Tirso, no distrito do Porto, estava a jantar e a ver a destruição que o mau tempo causou na zona centro do país e decidiu "ir ajudar". De mensagem em mensagem, juntaram-se a Luís mais quatro amigos. Pediram apoio logístico aos Bombeiros Voluntários de Santo Tirso (BVST) e com alguns telefonemas garantiram guarida nos Bombeiros Voluntários de Vieira de Leiria (BVVL).
Partiram esta manhã. "Não podemos não fazer nada", concordam todos.
O caminho fez-se à chuva. De um quartel ao outro é "já ali", foram mais de 200 quilómetros, duas horas e meia de muita chuva. O quartel dos Voluntários de Vieira de Leiria é um exemplo do rasto de destruição que a tempestade Kristin deixou pela zona: "Os nossos portões [oito] andaram pelo ar, voaram telhas, uma das antenas tombou, foi um inferno", descreveu à Lusa o comandante dos Voluntários de Leiria, João Lavos.
"Ficamos sensibilizados com a ajuda. Estamos habituados a ser nós a ajudar e perceber que outras corporações nos ajudam é muito bom. O facto de virem estes voluntários, para nós é um orgulho. Eles vêm ajudar-nos e vão ajudar também a população, é bonito", disse, com um sorriso cansado pelos mais de 12 dias de luta.
E é para ajudar que Luís, Ricardo, Vítor, João e o experiente chefe Taipas vieram até Vieira de Leiria. A primeira missão é tapar o buraco no telhado que a tempestade deixou na casa de uma bombeira local: "Temos aqui umas horitas de trabalho, mais vale é começar já", avisaram.
"O diabo esfregou o olho e isto foi tudo", explicou um dos vizinhos, curioso por ver na rua um carro de uma outra corporação. "De onde é que vêm? Santo Tirso? Não sei onde fica, mas obrigado", falou.
Depois da casa da camarada, o grupo vai-se fazer ao telhado ferido do tio. De um telhado para o outro, estão a acabar o dia entre lonas e telhas de uma associação com um lar de terceira idade. A noite chegou.
Aos de Santo Tirso, os de Vieira de Leiria vão garantir jantar e cama: "Não precisamos de muito e agradecemos a hospitalidade", dizem os primeiros.
"Nós é que agradecemos. Ver que não estamos sozinhos dá-nos alento", agradecem os segundos.
No quartel, já cheira ao jantar. Idalina, mãe de bombeiro e "a Mãe" do quartel, já prepará-lo. Pela cozinha, há sinais da ajuda da comunidade: doces, enlatados, bebidas, cereais leite, "há de tudo, trouxeram aqui de tudo".
O grupo vai ficar por Vieira de Leiria até quarta-feira, quando acabam as "folgas, férias e boa vontade" de quem permitiu que viessem.
Na terça-feira, o "amanhã que se espera com menos chuva", o trabalho continua e há muito: "Toda a vila precisa de ajuda. Numas casas são as telhas, noutras, vidros, lonas. Mas o que precisávamos mesmo era de luz e voltar à normalidade", explicou o comandante.
A normalidade está a ser reconstruída, a luz há de voltar. Mas entre o quartel de Santo Tirso e o de Vieira de Leiria há um novo caminho, o da solidariedade.
"É bonito", confessou o comandante.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt