Comissão Europeia reconhece "cenário assustador" no clima
Onda de calor na Europa continua a provocar impactos significativos em vários países, com França a registar um aumento da mortalidade.
A vice-presidente executiva da Comissão Europeia Teresa Ribero reconheceu esta quarta-feira, em reunião plenária do Comité das Regiões (CoR), o "cenário assustador" que tem afetado o clima europeu.
"Trinta e sete graus pode ser algo frequente na Europa do Sul, mas já não tanto em Bruxelas", assumiu a comissária para a Transição Limpa, Justa e Competitiva, antecipando que esta situação "se vai tornar cada vez mais frequente" no continente.
"É de loucos", comentou, considerando que só com parcerias multirregionais será possível debelar o impacto das alterações climáticas.
Mais tarde, na conferência de imprensa conjunta com a presidente do Comité das Regiões, Kata Tütto, destinada a alguns meios de comunicação, entre os quais a Lusa, Teresa Ribero assumiu: "Não estamos suficientemente preparados."
Referindo, como exemplos, o colapso de serviços hospitalares e o fecho de escolas durante as mais recentes vagas de calor na Europa, a vice-presidente classificou as alterações climáticas como "um assassino silencioso".
Questionada pelos jornalistas, recusou fazer projeções sobre as negociações orçamentais em curso, no âmbito do novo quadro plurianual da União Europeia (UE), e o impacto que podem ter na política de coesão.
No plenário, a comissária espanhola asseverou que "a política de coesão continua a ser essencial" para a UE, defendendo parcerias locais que garantam "um papel mais forte para cidades e regiões".
Por isso, seja qual for o resultado das negociações interinstitucionais (entre deputados e Estados-membros), cidades e regiões serão "a voz da Europa no terreno".
Uma vez que "os autarcas estão na primeira linha de resposta ao clima", a comissária defendeu ser preciso "garantir que as autarquias têm os meios para providenciar as respostas adequadas aos desafios que enfrentam".
Kata Tütto agradeceu o apoio de Teresa Ribero ao CoR e destacou que o Comité é "um aliado" da Comissão Europeia.
"Toda a gente tem mais problemas do que dinheiro", assumiu, realçando, porém, que "a política de coesão tem de continuar a apoiar cidades e regiões" na transição climática e energética.
Essa política de coesão deve ser "desenhada e não apenas implementada" a nível local, sustentou, destacando a atenção "constante e persistente" dos líderes locais às metas e planos de ação do clima e da energia.
A onda de calor na Europa continua a provocar impactos significativos em vários países, com França a registar um aumento da mortalidade e novos recordes de temperatura na Croácia e na Hungria.
Segundo cálculos da agência de notícias France-Presse (AFP), baseados em previsões do Serviço Meteorológico Alemão e em projeções demográficas do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, mais de 95 milhões de pessoas terão enfrentado, em algum momento de terça-feira, temperaturas superiores a 35º C, sobretudo no sul e no leste da Europa.
A atual vaga de calor sucede a uma série de episódios extremos registados nas últimas semanas em vários países europeus, incluindo Portugal, refletindo a persistência de temperaturas excecionalmente elevadas em grande parte da Europa.
O tempo quente que afeta Portugal desde terça-feira dará origem a uma onda de calor que se prolongará por oito a dez dias e atingirá praticamente todo o país, estimou esta quinta-feira o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
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