Luís Montenegro agradeceu o "esforço notável e incansável" dos operacionais no terreno.
Primeiro-ministro no Aeródromo de Coimbra para tomar nota dos danos da tempestade
Depois de, durante a manhã, Luís Montenegro ter visitado Leiria, o primeiro-ministro deslocou-se na tarde de quinta-feira a Coimbra. Acompanhado da autarca da cidade, o chefe do Governo visitou vários dos locais mais afetados na cidade, e reconheceu aos jornalistas que os efeitos da depressão Kristin foram "mais volumosos do que era expectável ao início".
Montenegro afirmou, por outro lado, que os acontecimentos dos últimos dias terão de representar também "uma prova de superação" e uma oportunidade "de aprendizagem", e deixou um agradecimento ao "esforço incansável" dos operacionais e autarcas no terreno.
O primeiro-ministro afirmou que "muitos equipamentos" sofreram danos, e fez referência aos graves prejuízos da atividade económica. "Grande parte do setor produtivo está atingido, e com ele algumas cadeias de produção e de abastecimento", reconheceu, lembrando que irá afetar inclusive empresas que operam fora do Centro, mas cuja cadeia de abastecimentos passa pela região.
Montenegro instou as companhias de seguros a "acelerar procedimentos" por forma a mitigar os efeitos da tempestade nas pessoas e nas empresas. E apelou às entidades públicas, do poder local às instâncias nacionais, a acelerar a capacidade de resposta. "Em situações de exceção, impõe-se um regime de exceção", disse.
O chefe do Governo não se comprometeu com valores específicos dos prejuízos ou de verbas de recuperação. "Neste momento é prematuro", disse, remetendo para esta sexta-feira, quando o Ministro da Coesão Territorial se vai reunir com as estruturas locais para aferir a situação. Como durante a manhã, reafirmou que os próximos dias trarão novos desafios, devido à precipitação que é esperada e que, não estando ao nível dos últimos dias, irá colocar pressão nas estruturas de resposta.
Rejeitou a ideia de que a resposta às ocorrências registadas se tenha atrasado, e reiterou que "desde a primeira hora" a capacidade de resposta foi elevada por forma a acompanhar a evolução da situação, inclusive numa fase de prevenção. "Fizemos o que era possível ser feito". Reconheceu, contudo, que depois de visitar o terreno compreendeu "profundamente" os apelos desperados dos autarcas que, logo nas primeiras horas alertaram para a falta de comunicações, energia e água.
Perante insistência dos jornalistas sobre queixas de alguns autarcas – em particular Pedro Santana Lopes – de que não teriam sido contactados, afirmou que "não é fácil fazer este trabalho e este esforço porque não conseguimos estar em simultâneo em todos os sítios. (...) Compreendo que todos queiram ter esse contacto, mas não conseguimos multiplicar-nos estando em todo o lado ao mesmo tempo".
Montenegro remeteu para o futuro a resposta às críticas da oposição, sobre o Governo ter decretado tardiamente o estado de calamidade, sustentando que o mais urgente neste momento é responder às carências da população.
Afiançou, contudo, que "não houve nada que tivesse ficado por fazer por não estar decretada a situação de calamidade" relembrando que durante a manhã já tinha afirmado que esse decreto não teve impacto no número de operacionais e da resposta nas últimas horas. "O nível em que [a capacidade de resposta] já estava a funcionar era aquele que funciona em situação de calamidade".
Aproveitou ainda para contrariar as críticas que apontam novamente falhas da rede de emergência SIRESP. "Tem-me sido relatado por praticamente toda a gente, dos agentes de Proteção Civil aos presidentes de Câmara, que foi o meio de comunicação ao qual se agarraram e que lhes valeu nas horas maior aflição", reduzindo as ocasiões de falhas a "um ou outro momento onde não esteve na plenitude".
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