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Lisboa regista máximos de 58,3°C em pavimento betuminoso ao sol

Associação Vizinhos em Lisboa defendeu que estes resultados apontam como intervenções prioritárias "a arborização, o sombreamento e os pontos de água".

01 de julho de 2026 às 16:44

Uma campanha piloto de medição da temperatura das superfícies urbanas em Lisboa, coordenada por uma associação de moradores, registou máximos de 58,3 graus Celsius (°C) em pavimento betuminoso ao sol, correspondendo a 31ºC acima da temperatura do ar.

Estes dados resultam do projeto TemperaturasLx, coordenado pela associação de moradores Vizinhos em Lisboa, que mediu a temperatura das superfícies urbanas em nove das 24 freguesias da capital, entre 12 e 17 de junho, nos momentos em que a temperatura atmosférica rondava os 21°C e os 27°C, obtendo 245 registos em 108 locais.

Com o objetivo de "identificar os pontos de calor mais críticos", criando o mapa das ilhas de calor de Lisboa, esta campanha piloto de medição "encontrou máximos de 58,3°C em pavimento betuminoso ao sol, até 20°C acima da calçada portuguesa à sombra, onde se registou valores máximos de aproximadamente 30°C.

Em comunicado, a associação Vizinhos em Lisboa defendeu que estes resultados apontam como intervenções prioritárias "a arborização, o sombreamento e os pontos de água", a propor às juntas de freguesia e à Câmara Municipal.

"Em dias mais quentes, o que no contexto atual das alterações climáticas é cada vez mais frequente, os valores de superfície aqui registados serão ainda superiores", realçou.

Ao mesmo tempo que foi registada a temperatura máxima de 58,3°C em pavimento betuminoso ao sol, o que corresponde a 31ºC acima da temperatura do ar, as medições verificaram que a água de um chafariz estava a 23°C, estando 4°C abaixo da temperatura atmosférica.

Outros dos dados são que na calçada portuguesa ao sol foram registados valores máximos de aproximadamente 41°C, na calçada portuguesa à sombra 30°C, no relvado ao sol 34°C e no relvado à sombra 26°C, de acordo com a campanha piloto de medição.

"Estes dados demonstram que a sombra, mais do que qualquer outro fator, é o instrumento de política pública com maior retorno imediato em termos de saúde urbana", argumentou a associação de moradores.

As nove freguesias alvo destas medições foram Alvalade, Areeiro, Arroios, Avenidas Novas, Campo de Ourique, Estrela, Misericórdia, Santa Maria Maior e Santo António, prevendo-se a extensão da campanha às restantes 15 freguesias de Lisboa durante o verão, com voluntários, escolas e coletividades locais.

As medições foram realizadas com termómetro de infravermelhos portátil, que mede a temperatura de radiação de superfícies sólidas e líquidas, indicou a associação, ressalvando que os equipamentos utilizados não são certificados, sendo de uso indicativo, para "identificar padrões e tendências, fundamentar pedidos de vistoria técnica e orientar propostas de intervenção".

Entre as nove freguesias avaliadas, Santo António, Misericórdia e Campo de Ourique apresentam as temperaturas médias mais elevadas, superiores a 40°C, de acordo com os dados da campanha piloto de medição, revelando que o local com a temperatura média mais elevada de toda a amostra é a Avenida Álvares Cabral (Campo de Ourique), com 52,4°C ao sol, e o máximo absoluto foi registado na Avenida Almirante Reis (Areeiro) com 58,3°C sobre pavimento betuminoso em via de trânsito.

Da leitura dos dados, a Vizinhos em Lisboa destacou que a calçada portuguesa à sombra está em média 10,2°C mais fria do que ao sol, referindo que "uma única árvore com copa adequada produz este efeito sem qualquer custo de manutenção de energia" e o relvado à sombra regista temperaturas inferiores à temperatura do ar, "comportando-se como um elemento ativo de arrefecimento por evapotranspiração".

"A diferença entre um banco ao sol e um banco à sombra é de 15,9°C, superior à diferença entre betuminoso ao sol e calçada ao sol. O sombreamento do mobiliário urbano é tão importante como o do pavimento", afirmou, adiantando que a água dos chafarizes e lagos registou temperaturas médias de 22,9°C, muito abaixo de qualquer superfície pavimentada, defendendo que "a manutenção e expansão dos bebedouros e pontos de água é uma medida de impacto imediato".

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