Fenómeno climático natural no Pacífico pode aumentar as temperaturas globais e agravar fenómenos extremos. El Niño deverá regressar já este verão mas intensidade ainda é "muito incerta".
As temperaturas globais continuam a bater recordes e os fenómenos meteorológicos extremos tornam-se cada vez mais frequentes. Entre as causas apontadas pelos cientistas está o El Niño, um fenómeno climático natural que aquece as águas do Oceano Pacífico e altera os padrões do clima em várias regiões do mundo.
Embora aconteça longe da Europa, o El Niño pode influenciar temperaturas, períodos de seca, chuvas intensas e tempestades em diferentes continentes, de acordo com o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (NOAA). O fenómeno ganhou destaque nos últimos anos pela contribuição para o aumento das temperaturas globais e para que 2024 fosse o ano mais quente desde que há registos.
Em condições normais, os ventos alísios (massas de ar quente) sopram de leste para oeste ao longo do equador, empurrando as águas quentes para a zona da Indonésia e Austrália. Durante um episódio de El Niño, esses ventos enfraquecem ou até mudam de direção, permitindo que as águas quentes se desloquem para a costa oeste das Américas.
Esse aquecimento do oceano provoca alterações na circulação atmosférica e modifica os padrões de precipitação e temperatura à escala global.
Os efeitos variam de região para região, mas o El Niño está normalmente associado a aumento das temperaturas globais; secas em algumas zonas da Ásia e Oceânia; chuvas intensas e inundações noutras regiões; e uma maior frequência de fenómenos meteorológicos extremos.
Segundo dados do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (NOAA), o episódio de El Niño entre 2023 e 2024 contribuiu para que 2024 fosse o ano mais quente desde que há registos.
A La Niña é o fenómeno oposto ao El Niño. Em vez de aquecimento, ocorre um arrefecimento anormal das águas superficiais do Pacífico tropical.
Durante a La Niña os ventos alísios tornam-se mais fortes, aumenta a precipitação em algumas regiões do sudeste asiático e certas zonas do Pacífico oriental tornam-se mais secas.
O ciclo climático conhecido como ENSO (Oscilação Sul do El Niño) alterna entre fases de El Niño, La Niña e períodos neutros. Estas mudanças costumam ocorrer a cada dois a sete anos.
Os cientistas utilizam a expressão "super El Niño" para descrever episódios particularmente intensos, quando as temperaturas do oceano permanecem pelo menos 2 ºC acima da média durante um longo período. O último "super El Niño" confirmado ocorreu entre 2015 e 2016.
Embora o episódio de 2023-2024 tenha atingido valores muito elevados, os cientistas consideram que o aquecimento não durou tempo suficiente para receber oficialmente essa classificação.
Embora os impactos sejam mais fortes no Pacífico e nas Américas, o fenómeno pode também influenciar o clima europeu, incluindo Portugal. Alguns estudos apontam para invernos mais instáveis ou alterações nos padrões de precipitação no sul da Europa, embora os efeitos sejam menos diretos e mais difíceis de prever.
Os cientistas acompanham constantemente a temperatura do oceano e os padrões atmosféricos através de satélites, bóias oceânicas e modelos climáticos. Apesar disso, a intensidade exata de cada episódio continua a ser difícil de antecipar.
O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (NOAA) considera que a força do possível El Niño previsto para 2026 ainda é "muito incerta", mas aponta para cerca de 33% de probabilidade de existir um El Niño forte entre outubro e dezembro.
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