Relatório destaca temperaturas recorde no continente europeu, a maior área ardida de sempre, resultado dos incêndios florestais, caudais de rios constantemente abaixo da média e tempestades e inundações.
Portugal registou no ano passado seis ondas de calor em terra e ondas de calor marítimas moderadas, mas em geral 2025 foi mais húmido do que em grande parte da Europa, incluindo países nórdicos.
O balanço é feito num relatório sobre o clima na Europa em 2025, que destaca temperaturas recorde no continente, a maior área ardida de sempre, resultado dos incêndios florestais, caudais de rios constantemente abaixo da média e tempestades e inundações.
No relatório "European State of the Climate" (ESOTC) de 2025 Portugal é referido especialmente pelas ondas de calor no mar, incêndios no verão, tempestades e cheias e ano de humidade excecional.
Em março e novembro de 2025 o país registou tempestades que causaram inundações, como a tempestade Cláudia em novembro passado, observa o relatório, elaborado pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), responsável pela implementação do Serviço de Alterações Climáticas do programa europeu de observação da Terra Copernicus, e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).
Apesar do tempo seco no verão, Portugal teve condições mais húmidas do que a média Europeia, a braços com temperaturas muito altas, especialmente o centro e norte da Europa e o Mediterrâneo.
Em março do ano passado, a Península Ibérica tinha os solos 31% mais húmidos do que a média para o mês, tendo Portugal recebido 229% mais chuva do que a média dos meses de março.
Apesar de a generalidade dos rios europeus registarem um caudal inferior ao normal, na Península Ibérica durante a primavera os caudais foram muito superiores à média, nomeadamente nas bacias do Tejo e do Guadiana, devido a uma sucessão de tempestades e chuvas fortes e persistentes, que causaram várias inundações, como por exemplo a Martinho, em março.
Segundo o relatório 2025 foi o quinto mais quente em Portugal continental desde 1931 (e o terceiro mais chuvoso desde 2000) e teve seis ondas de calor, três no verão, uma na primavera e duas no outono. De julho a outubro mais de metade do continente esteve em seca meteorológica.
Os incêndios florestais provocaram quatro mortes em Portugal e os incêndios de agosto em Portugal e Espanha levaram à maior emissão anual de gases relacionadas com os fogos na Europa nos últimos 23 anos e a recordes de áreas ardidas.
Em termos gerais, o relatório indica que 2025 será o terceiro mais quente de que há registo, depois de temperaturas sem precedentes em 2023 e 2024, este o ano mais quente e o primeiro com uma temperatura média superior a 1,5ºC acima do nível pré-industrial.
A temperatura média global foi de 14,97°C, 0,59°C acima da média de 1991-2020 e 0,13°C mais baixa do que 2024, o ano mais quente.
Segundo o documento, a Europa em 2025 registou temperaturas excecionais junto à superfície do ar e da água do mar, e eventos extremos, incluindo inundações, ondas de calor e incêndios florestais.
E os dados preliminares indicam que as concentrações de gases com efeito de estufa continuaram a aumentar em 2025.
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