Característica dominante de toda a ação sacerdotal do padre Cruz foi o Apostolado, uma vida de peregrinação.
Processo diocesano para a beatificação do padre Cruz chega ao fim
O processo de beatificação do padre Cruz tem a fase diocesana concluída, seguindo agora para a Congregação para as Causas dos Santos, em Roma, foi esta quinta-feiraanunciado.
Em comunicado, o Patriarcado de Lisboa anuncia que a sessão de clausura do processo diocesano supletivo para a causa de beatificação de Francisco Rodrigues da Cruz, conhecido como padre Cruz, está marcada para 17 de dezembro, na igreja de São Vicente de Fora, em Lisboa.
A celebração marcada pelo cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, adianta a mesma nota, é aberta à participação dos fiéis e serão observadas medidas sanitárias em vigor devido à pandemia de covid-19.
Após a Sessão de Clausura, todo o material recolhido é entregue na Congregação das Causas dos Santos, em Roma, que dará o seguimento de acordo com as regras da Igreja.
A decisão do encerramento do processo pelo cardeal-patriarca de Lisboa foi tomada após ouvir o Tribunal constituído para a causa e o Vice-Postulador.
O processo de canonização do Padre Cruz teve início em 10 de março de 1951 e a fase diocesana decorreu até 18 setembro de 1965 -- data em que foi entregue na Sagrada Congregação para a Causa dos Santos Cópia Pública dos três processos (Virtudes, non culto e Escritos).
O Patriarcado de Lisboa explica que sendo necessário completar aquele processo com os elementos requeridos pelas novas normas para a instrução dos processos de canonização, incluindo uma Comissão de Peritos em História, a 12 de setembro de 2009, o então cardeal-patriarca José Policarpo nomeou um novo Tribunal e Comissão Histórica para darem seguimento ao requerido.
Entre março e maio de 2011 foram ouvidos os testemunhos sobre as virtudes heroicas do padre Cruz e a Comissão Histórica -- esta já nomeada a 11 dezembro de 2018 pelo Cardeal-Patriarca Manuel Clemente -- entregou, no dia 1 de outubro de 2019, os documentos e a sua análise crítica.
Francisco Rodrigues da Cruz, popularmente conhecido como padre Cruz, era natural da vila de Alcochete, onde nasceu em 29 de julho de 1859.
Os pais, temendo pela sua frágil vida, chamaram um sacerdote para que fosse batizado em casa, sendo as cerimónias do batismo apenas completadas em fevereiro do ano seguinte.
Apesar da frágil saúde que o acompanhou desde cedo, e ao longo da sua vida, o padre Cruz, concluiu os estudos secundários e seguiu para Coimbra, onde se formou em Teologia na Universidade de Coimbra em 1880, ordenando-se sacerdote em 1882.
Entrou para a Companhia de Jesus em 3 de dezembro de 1940, após ver indeferido por diversas vezes o seu pedido para entrar na Companhia, por falta de saúde.
Segundo o secretariado da Causa de Beatificação e Canonização do Padre Cruz, a característica dominante de toda a ação sacerdotal do padre Cruz foi o Apostolado, uma vida de peregrinação, de norte a sul do país, Açores e Madeira, em 1942, tendo sido também um peregrino de Fátima e fervoroso defensor do "milagre de Fátima".
Em 1913, o Padre Cruz deu a Primeira Comunhão a Lúcia, depois de um pároco se ter negado a fazê-lo.
Padre Cruz faleceu aos 89 anos, em 1 de outubro de 1948 e foi sepultado no jazigo dos jesuítas no Cemitério de Benfica, em Lisboa.
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