Costa justificou medida com a elevada concentração de pessoas que estes eventos implicam.
As festas e romarias populares vão continuar suspensas no continente português durante os meses de julho e agosto, disse hoje o primeiro-ministro, António Costa, justificando a medida com a elevada concentração de pessoas que estes eventos implicam.
Após uma reunião do Conselho de Ministros, em Lisboa, para atualizar as medidas do processo de desconfinamento, no contexto da pandemia de covid-19, o primeiro-ministro lamentou que a proibição de realização das tradicionais festas populares se mantenha, mas sublinhou que "suscitam sempre grande movimentação, grande concentração de pessoas".
"Estamos certos de que os primeiros a agradecer ao Governo tomar o ónus desta decisão serão os autarcas, que assim são poupados de terem de tomar as medidas que teriam inevitavelmente de tomar para a proteção das suas populações", afirmou.
Questionado sobre a criação de zonas de diversão no Porto para assinalar o São João, António Costa referiu que o Governo falou com o município e sublinhou que não estão previstas festividades tradicionais, "mas a realização de três eventos, em três espaços ao ar livre devidamente limitados e concertados entre a Câmara Municipal do Porto e as autoridades de saúde", pelo que serão seguidas "as regras próprias dos eventos" atualmente aplicadas.
"Quanto às situações de incumprimento das normas de afastamento, compete naturalmente às forças de segurança assegurar o cumprimento das normas", acrescentou.
Relativamente aos festejos do São João, no Porto, o presidente da Câmara Municipal já disse que vão ser criadas três zonas de diversões, mas sem concertos na avenida e fogo de artifício, devido à pandemia de covid-19.
"São João haverá sempre. Na noite de 23 para 24 [de junho] é São João no Porto. Aquilo que a câmara permitiu, com o parecer das autoridades de saúde, foram três zonas de diversões, onde as pessoas podem ir em condições consideradas de total segurança por parte da Direção Geral [da Saúde]", explicou Rui Moreira aos jornalistas, na segunda-feira, no final da reunião pública do executivo camarário.
O autarca assumiu que as medidas adotadas para os festejos do São João na cidade são importantes para setores que estão parados há meses, mas também para as famílias.
Em relação às festas de Lisboa, na terça-feira, em declarações à agência Lusa, Fernando Medina (PS) indicou que, tal como no ano passado, os arraiais "não vão ser licenciadas nem pela Câmara, nem por Juntas de Freguesia e, por isso, a fiscalização cabe às autoridades, quer à Polícia Municipal, quer à Polícia de Segurança Pública [PSP]".
"Infelizmente, já antecipávamos este cenário, por isso já tínhamos anunciado que não iríamos ter as marchas este ano e que os festejos não se iriam realizar, isso é óbvio. Isto agora estende-se a toda a noite de Santo António, na noite do dia 12 [de junho], os arraiais tão típicos desta altura não vão acontecer e, por isso, teremos que, infelizmente, aguardar mais um ano para podermos de novo celebrar o Santo António com a alegria que a cidade gosta de o fazer", declarou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.681.985 mortos no mundo, resultantes de mais de 171 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
Em Portugal, morreram 17.026 pessoas dos 850.262 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.
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