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Faltas a Cidadania chumbam irmãos em Famalicão

Pais dos jovens, alunos do quadro de mérito, avançaram com providência cautelar.

06 de julho de 2021 às 01:30

Tal como no ano passado, os pais dos dois jovens, que frequentam o 7º e o 9º ano e têm 5 a todas as disciplinas, interpuseram uma providência cautelar junto do Tribunal Administrativo de Braga, que há de pronunciar-se sobre a retenção ou não dos jovens.

Em causa está o facto de os pais de Tiago Guimarães (7º ano) e Rafael Guimarães (9º ano) alegarem objeção de consciência em relação à disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, impedindo os seus filhos de a frequentarem, por considerarem que se trata de matérias que cabem à educação familiar e não à escola ministrar.

No ano passado, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga determinou que, embora a Escola impedisse a transição de nível a estes dois alunos, eles deveriam passar de ano, já que não podem ser prejudicados pelas decisões dos pais.

Este ano, na última semana do mês de junho, os processos de Tiago e Rafael davam conta de que os alunos “desenvolveram com excelência as aprendizagens a todas as disciplinas, exceto a Cidadania e Desenvolvimento, por falta de assiduidade”, acrescentando, em jeito de nota final: “Não transita.”

Os pais não aceitam a imposição da escola e do Ministério da Educação de obrigatoriedade de frequência daquela disciplina, alegando que temáticas como a sexualidade, por exemplo, são “do foro da educação familiar e não de currículos escolares”.

Reuniões com direção escolar

Tiago e Rafael Guimarães frequentaram a Escola EB 2,3 Júlio Brandão, em Vila Nova de Famalicão, que pertence ao Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco. Tanto a direção da escola como a do agrupamento reuniram-se com os pais.

"Os meus filhos estão a ser alvo de perseguição"

Artur Mesquita Guimarães, pai de Tiago e Rafael, não tem dúvidas: "Os meus filhos estão a ser alvo de perseguição por parte de quatro entidades do Estado - o Ministério da Educação, o Ministério Público, a Segurança Social e a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens." E alega que se trata de "uma questão ideológica".

Preparar os jovens para a convivência democrática

A disciplina de Cidadania e Desenvolvimento é obrigatória do 5º ao 9º ano. De acordo com a Direção-Geral da Educação, tem por objetivo aumentar o "envolvimento da escola nas problemáticas e interesses da sociedade, a nível local, regional, nacional e global, preparando as novas gerações para uma convivência plural e democrática". Aborda temas como a deficiência, a inclusão ou a sexualidade.

"Solução que não prejudique as crianças"

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Jorge Ascenção, lembra que é preciso encontrar uma solução "sensata e flexível" que "não prejudique as crianças".

"Todos gostamos de ter liberdade de escolha e percebo a posição dos pais, mas a escola implica respeitar certas normas no que diz respeito às disciplinas. Senão, a tutela também teria de admitir que alguém se recusasse a que o filho aprendesse Matemática", frisa. "O que não faz sentido é desaproveitar as crianças para castigar os pais", acrescenta.

Vários ilustres juntaram-se à luta dos pais. O cardeal D. Manuel Clemente, Cavaco Silva, os ex-ministros da educação David Justino e Carmo Seabra, ou o professor universitário Adriano Moreira foram alguns dos ilustres que assinaram o manifesto ‘Em Defesa das Liberdades da Educação’, quando o caso veio a público.

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