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Pordata revela que "aumento da escolaridade, a maior participação da mulher no mercado de trabalho e o acesso generalizado aos métodos contracetivos contribuíram para o 'encolher das famílias'".
A população cresceu, as famílias mudaram e nascem menos bebés, revelam dados estatísticos que mostram que 50 anos depois do 25 de Abril Portugal é um país muito diferente do que o que viveu a revolução.
Em 1974, a população de Portugal ascendia a 8,8 milhões, enquanto em 2022 totalizava cerca de 10,4 milhões e era mais cosmopolita, incluindo 7,5% de estrangeiros.
O número de estrangeiros "aumentou 24 vezes" entre 1974 e 2022, passando de 32.057 para 781.247, segundo a Pordata, a base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
O perfil demográfico da população também se alterou, existindo atualmente menos 45% menores de 15 anos e o triplo dos maiores de 64 anos.
As crianças e jovens até aos 14 representavam em 1974 28% da população (13% em 2022), enquanto 62% tinham entre 15 e 64 anos (63%) e 10% mais de 65 anos (24%).
"Em cinco décadas, Portugal foi o país da União Europeia onde mais aumentou a população sénior e o 3.º que mais perdeu crianças e jovens". Em 1974, existiam 35 idosos por cada 100 jovens e, em 2022, 185 idosos por cada 100 jovens, tornando-se assim o país "que mais inverteu a posição do seu índice de envelhecimento", passando do 1.º com menos idosos por jovens para o 2.º com mais idosos por jovens.
O facto de se ter menos filhos e de uma pessoa com 65 anos poder esperar hoje viver em média mais 20 anos (mais sete do que há 50 anos) também explica o envelhecimento demográfico.
Por outro lado, "o aumento da escolaridade, a maior participação da mulher no mercado de trabalho e o acesso generalizado aos métodos contracetivos contribuíram para o adiar de projetos de maternidade e para o 'encolher das famílias'", explica a Pordata.
Cinco décadas passadas, as mulheres têm o primeiro filho, em média, sete anos mais tarde e os nascimentos são agora perto de metade (84 mil versus 172 mil), assim como os casamentos (36.952 face a 81.724). A laicização da sociedade pode explicar a grande diminuição do número de casamentos católicos (81% em 1974 e 27% em 2022).
Ao invés, cresceram as uniões de facto e os divórcios (que em 1975 passaram a ser permitidos para os casamentos católicos) aumentaram 24 vezes.
Também aumentaram os bebés nascidos fora do casamento, que hoje são seis em cada 10, enquanto há 50 anos representavam apenas 7% dos nascimentos, tendo descido a média de filhos por mulher, que passou de 2,75 para 1,43.
Quanto às famílias, tinham uma média de 3,7 pessoas em 1970 e têm agora 2,5. Os agregados familiares com cinco ou mais elementos diminuíram 22 pontos percentuais (de 28% para 6%), enquanto a percentagem de pessoas que vivem sozinhas passou de 10 para 25%. As famílias com dois elementos aumentaram 11 pontos percentuais no mesmo período e as compostas por três e quatro pessoas, que representavam 40%, são atualmente 36%.
PAL // ZO
Lusa/fim
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