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Correio da Manhã

Sociedade

90 mil sofrem de Alzheimer em Portugal

Dificuldades económicas são um dos principais obstáculos.
Cláudia Machado e Edgar Nascimento 21 de Setembro de 2014 às 19:04
Sintomas são muitas vezes confundidos com o envelhecimento
Sintomas são muitas vezes confundidos com o envelhecimento FOTO: Charles Platiau/Reuters

É a forma mais comum de demência e os seus efeitos são devastadores, tanto para o doente como para os cuidadores. A frequente subtileza dos primeiros sintomas – esquecer o nome de um objeto ou deixar passar um recado – pode levar a que o diagnóstico chegue somente anos mais tarde. A doença de Alzheimer causa a deterioração progressiva e irreversível das funções cognitivas e estima-se que atinja cerca de 90 mil portugueses.

O envelhecimento está diretamente ligado à doença neurodegenerativa. O tipo mais comum de Alzheimer manifesta-se com maior frequência a partir dos 65 anos e afeta o doente independentemente de este ter ou não antecedentes familiares da demência. Outra ramificação da doença, ligada à hereditariedade e de cariz mais raro, pode surgir entre os 40 e os 60 anos.

O desgaste emocional causado pela demência deixa marcas profundas nas famílias, que enfrentam igualmente uma prova de fogo a nível económico. "Já começa a haver mais apoio das instituições públicas, com alguns serviços hospitalares que apoiam os cuidadores e prestam consultas de memória à pessoa com demência", referiu ao CM Filipa Gomes, diretora técnica do departamento de prestações de serviços de Lisboa da Alzheimer Portugal, sublinhando que "estes apoios ainda são poucos e estamos só a falar da componente da saúde". Fundada em 1988, a associação identifica "as dificuldades económicas" como um dos principais desafios do doente e do seu núcleo de suporte.

"É uma doença que exige muitos encargos, com medicamentos caros e difíceis de suportar para algumas famílias. À medida que a doença vai evoluindo, começa ainda a surgir outro tipo de necessidades, como as fraldas", alargando o leque de encargos financeiros para os cuidadores, acrescentou Filipa Gomes.

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