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Correio da Manhã

Sociedade
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Aeroporto de Beja pode ser complementar a Lisboa e Faro

Aeroporto de Faro vai "esgotar rapidamente e não pode ser expandido e o Algarve precisará de um novo aeroporto até 2030".
12 de Setembro de 2018 às 16:21
Aeroporto, Beja, Lisboa, Reparações, Aviões
Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja (EDAB) registou um volume de negócios nulo
Aeroporto, Beja, Lisboa, Reparações, Aviões
Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja (EDAB) registou um volume de negócios nulo
Aeroporto, Beja, Lisboa, Reparações, Aviões
Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja (EDAB) registou um volume de negócios nulo
O aeroporto de Beja pode ser complementar aos de Lisboa e Faro e servir a capital, Setúbal, Algarve e a Extremadura espanhola com transporte ferroviário que coloque passageiros nestas regiões até 90 minutos, segundo um especialista.

O aeroporto alentejano "é uma opção técnica e economicamente exequível como complemento aos aeroportos de Lisboa e Faro", disse esta quarta-feira à agência Lusa o investigador da Universidade do Algarve Manuel Tão.

O aeroporto de Lisboa, sublinhou, está "esgotado" e o de Beja tem "uma vantagem muito grande: está pronto a usar" em relação a outras soluções apontadas, como Montijo, que "não se sabe se têm viabilidade técnica, longevidade e retorno socioeconómico aceitável".

Por seu turno, segundo Manuel Tão, o aeroporto de Faro vai "esgotar rapidamente e não pode ser expandido e o Algarve precisará de um novo aeroporto até 2030".

"Há sempre a possibilidade de construir um segundo aeroporto no Algarve, desde que haja 2.500/3.000 milhões de euros, o que não é muito exequível numa região que já não tem direito à maior parte dos fundos comunitários", disse.

De acordo com o mesmo especialista em planeamento de transportes, a área de influência do aeroporto de Beja "pode estender-se" à Grande Lisboa, à Península de Setúbal e ao Algarve desde que seja servido por um "transporte terrestre rápido capaz de colocar os clientes em 90 minutos ou menos" naquelas zonas.

Segundo o investigador da Universidade do Algarve, "tal só é alcançável" com a modernização dos troços ferroviários da Linha do Alentejo Casa Branca/Beja, que liga Beja e Lisboa, e Beja/Funcheira, que ligava Beja e Algarve, mas está desativado.

No caso do aeroporto de Beja, que tem linha ferroviária "bastante próxima", "há condições para projetar o potencial" enquanto aerogare e a área de influência para regiões que "ficam até 150 quilómetros de distância".

A Extremadura espanhola, que "carece de acessibilidade aérea", é "um bónus" para a área de influência do aeroporto de Beja e como "consequência" da ligação ferroviária Évora/Elvas.

A modernização dos troços permitirá a circulação de comboios entre 200 e 220 quilómetros/hora e, assim, será possível viajar de comboio entre Beja e as estações de Entrecampos, em Lisboa, em 85 minutos, de Albufeira, no Algarve, em 80 minutos, de Évora, em 35 minutos, e de Badajoz, na Extremadura espanhola, em 70 minutos.

"Não é possível viabilizar o aeroporto de Beja sem recurso ao transporte ferroviário", porque, pelas distâncias-tempo que oferece, "é o único suscetível de lhe conferir maior área de influência", disse.

Em termos de comparação, Manuel Tão apontou durações de viagens entre vários aeroportos "low-cost" e grandes cidades na Europa.

De comboio, o aeroporto de Londres-Stansted fica a 47 minutos do centro de Londres e, de autocarro, os aeroportos de Paris Beauvais Tillé e de Girona ficam a 90 minutos dos centros de Paris e Barcelona, respetivamente, e o aeroporto de Frankfurt-Hahn fica a duas horas de Frankfurt.

Manuel Tão falava à margem de uma sessão sobre acessibilidades e transportes promovida esta quarta-feira em Beja pela Plataforma Alentejo Estratégia Integrada de Acessibilidade Sustentável do Alentejo nas ligações Nacional e Internacional.
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