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Ainda há professores com respostas incompletas de exames para classificar

Faltam três dias para se concluir o processo de classificação dos cerca de 300 mil exames nacionais do ensino secundário.

11 de julho de 2026 às 22:22

Há professores classificadores ainda à espera de folhas de resposta dos exames nacionais em falta e outros a quem está a ser pedido que reavaliem itens já classificados, revelaram este sábado os movimentos MetaPROF e Missão Escola Pública.

A três dias do prazo para concluir o processo de classificação dos cerca de 300 mil exames nacionais do ensino secundário, os dois movimentos cívicos de professores continuam a receber relatos de problemas.

As respostas incompletas continuam a ser um dos problemas, segundo Cristina Mota, porta-voz do Missão Escola Pública.

"Os testemunhos que temos aqui mostram que as folhas de continuação continuam a ser um problema", corrobora Pedro Brito, do MetaPROF.

Com o prazo a apertar, muitos professores classificadores têm questionado os supervisores sobre como resolver o problema.

A Lusa teve acesso a três respostas em que foi dito aos docentes que, caso as folhas não chegassem até terminar o prazo, então que classificassem os itens tal como estavam.

Num dos fóruns, um supervisor confrontado com este problema respondeu na quarta-feira: "Deve aguardar que lhe enviem a página em falta. Se isso não acontecer até ao fim do processo, deve classificar com os dados que tem".

Outros dois professores relataram ter recebido a mesma indicação de um supervisor que concluiu dizendo "o aluno mais tarde poderá recorrer".

Questionado pela Lusa, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQa) garantiu não ter dado orientações nesse sentido e recordou que tinha sido implementado um sistema de reporte de eventuais desconformidades dos itens (botão "Reportar").

Foi esse botão que um professor avaliador disse ter usado na segunda-feira e novamente esta sexta. Sem qualquer resposta, voltou a questionar no fórum sobre o que fazer caso não chegassem as folhas em falta até dia 14 e o supervisor defendeu que a "opção mais lógica" seria classificar com o que tem, já que "para terminar o processo terá de ter todas as provas classificadas".

O EduQa diz ter feito na noite de quinta-feira "uma intervenção generalizada, permitindo a contínua procura de normalização do processo de classificação", tendo em conta os reportes dos professores.

A Lusa questionou o Ministério da Educação, ciência e Inovação (MECI) e o EduQa sobre se os professores que tinham reportado folhas de continuação em falta já as tinham recebido e se ainda havia itens incompletos, mas ainda não obteve resposta.

O movimento MetaPROF também recebeu documentos e testemunhos que confirmam que estava a ser dito aos professores que classificassem os itens como estavam caso as folhas em falta não chegassem atempadamente.

Mas Pedro Brito diz que este sábado houve "uma mudança de discurso nos fóruns: As respostas dos supervisores mudaram de `classifique com os dados que tem´ para `dirija a questão ao Júri Nacional de Exames´", disse à Lusa.

Desde o início do processo de classificação digital dos exames nacionais, o MetaPROF recebeu 561 testemunhos, dos quais 95 estavam relacionados com problemas com as folhas de continuação e 61 professores disseram ter recorrido ao mecanismo oficial de "reportar", segundo um balanço feito este sábado.

Os dois movimentos cívicos de professores contam que este sábado surgiu uma nova queixa dos professores, que estão a receber muito mais trabalho e respostas para avaliar que já tinham sido avaliados.

O porta-voz do MetaPROF apelou aos professores para que "não classifiquem provas no fim de semana nem à noite. O tempo é de família e de descanso".

O Governo anunciou este sábado o pagamento de horas extraordinárias aos professores classificadores, mas Cristina Mota diz ter sido "apenas um anúncio para a comunicação social, já que é uma comunicação vazia de conteúdo".

"É uma medida positiva porque finalmente se conclui que o trabalho de avaliação é extraordinário e tem de ser remunerado, mas não dizem valores, nem como vão ser apuradas essas horas", criticou a professora.

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