Natal deu o mote para a decoração das 30 casas da aldeia com uma mensagem virada para a sustentabilidade.
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As duas dezenas de habitantes de Parises, no Algarve, que sofreu nos últimos anos com o despovoamento, decoraram pela primeira vez a aldeia com materiais sobrantes da natureza para celebrar a quadra natalícia e reviver as tradições de outrora.
De Tomé, o morador mais velho, de 92 anos, a Gil, o mais novo, de 10, todos os 21 moradores da aldeia situada no concelho de São Brás de Alportel, distrito de Faro, estiveram envolvidos na transformação de Parises em aldeia Natal verde, iniciativa que decorre entre hoje e domingo.
O Natal deu o mote para a decoração das 30 casas da aldeia -- só sete são habitadas hoje em dia --, com uma mensagem virada para a sustentabilidade, através de materiais naturais da serra são-brasense e materiais reciclados, retratando a vivência e tradições de outrora na época festiva.
"Tem sido uma envolvência muito interessante. Acima de tudo, o Natal aqui já foi ganho. Eles nunca mais vão esquecer o Natal de 2023, porque neste ano houve uma diferença e um dinamismo aqui na aldeia que os fez sair de casa, mesmo com o frio e a chuva. Esta semana, para conseguirmos terminar a aldeia de Natal, toda a gente tem trabalhado com um entusiasmo grande", disse à Lusa Sónia Martins.
A funcionária técnica do município de São Brás de Alportel teve a ideia de fazer "um pouco a diferença" em prol de um território despovoado - em que há algumas décadas moravam mais de uma centena de pessoas e hoje está reduzido a sete famílias -, com uma média etária elevada, além de ter sido fustigado por um grande incêndio em 2012.
"É um território com menos habitantes do que aquilo que desejávamos e gostávamos, realmente, de chamar a atenção para o potencial que esta aldeia tem", afirmou, com a esperança de que esta zona isolada da serra algarvia ganhe mais moradores no futuro.
Numa oficina improvisada numa casa desabitada, os trabalhos começaram há cerca de três semanas, envolvendo também familiares, amigos e funcionários municipais, com a recolha de materiais e de ideias sobre como era vivida a época natalícia noutros tempos.
"Aqui nada é adquirido. É tudo o que a natureza dá. A natureza tem um potencial enorme", explicou Sónia Martins sobre as cascas, pinheiros, pinhas e folhas que foram utilizados em adereços decorativos e as árvores que já estavam a precisar de ser abatidas, agora esculpidas em forma de animais, como galos, coelhos, porcos, mochos ou veados.
Também foram reutilizados outros materiais que seriam encaminhados para o lixo, além de tecidos e roupas que as pessoas já não usavam, os únicos elementos que, "de uma forma ecológica, estão a ser utilizados para dar mais cor" à aldeia, além do verde da natureza, descreveu.
Por Parises, estão espalhadas mensagens e expressões típicas da serra e há uma "árvore das estrelas", com os nomes de todos os seus 21 moradores.
Noutra casa desabitada, há um pátio que assinala o "bem receber" da serra, com a mesa posta como símbolo mais importante, uma "espeteira" com frascos de sementes e uma "aveladeira" com colares de bolotas, que antigamente, no Natal, eram colocadas à lareira e servidas na noite de consoada.
À entrada da aldeia, está também um presépio feito há 15 anos pela professora e pelos alunos da escola primária então existente, hoje transformada em centro de convívio, mais um sinal do despovoamento que afetou esta localidade do interior algarvio.
"Estamos encantados com isto. Porque havia muita gente agora somos poucas pessoas", disse Maria do Rosário, de 82 anos e residente na aldeia há 63, porta-voz dos residentes, "muito satisfeitos" com este cenário natalício.
Entre hoje e domingo, está previsto um programa de atividades que inclui um mercadinho, várias oficinas de Natal e as atuações do Rancho Típico Sambrasense e do Coro Infantil de São Brás de Alportel, além de um jantar comunitário no sábado com uma receita antiga de feijão com repolho, a chamada comida de "aconchego".
A aldeia vai manter-se decorada sob o espírito do Natal verde até 6 de janeiro de 2024.
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