O Rastreio Nacional do Aneurisma da Aorta Abdominal realizado no último ano permitiu estimar uma prevalência da doença de 2,4 por cento no grupo de risco, isto é, em homens com mais de 65 anos de idade.<br/>
De acordo com os resultados deste rastreio, a que a Lusa teve acesso, os números são superiores aos encontrados em países como a Inglaterra (1,8 por cento) e a Suécia (1,6 por cento), por exemplo.
Coordenada por Armando Mansilha, professor de Cirurgia Vascular na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular (SPACV), a campanha de rastreio percorreu, numa unidade móvel, todas as capitais de distrito do continente, passando ainda por Ponta Delgada e Funchal, numa "iniciativa inédita não só a nível nacional, mas também a nível europeu".
O rastreio englobou o preenchimento de um questionário para tratamento estatístico, a medição da tensão arterial e a realização de uma ecografia abdominal. No total, foram avaliados 1.604 homens com uma média de idade de 74 anos.
Além da prevalência desta patologia, os resultados permitiram apurar os factores e os indicadores de risco presentes na população submetida ao rastreio.
Armando Mansilha referiu que mais de metade dos rastreados são ou foram fumadores (51,8 por cento), mais de 60 por cento revelaram sofrer de hipertensão e 46 por cento acusaram colesterol elevado. Já os indicadores de risco - doença coronária e doença carotídea, que permitem avaliar o risco de enfarte e de acidente vascular cerebral - foram avaliados em 17 por cento e 7,8 por cento, respectivamente.
A aorta é a principal artéria que distribui o sangue pelo organismo. Tem origem no coração e desce pelo tórax e pelo abdómen acabando em duas artérias, uma para cada membro inferior. O aneurisma da aorta abdominal é "o mais frequente dos aneurismas, é silencioso, não dói e só dá sinais quando rompe" e "ao romper é, por normal, fatal", sublinhou o cirurgião-vascular.
"Em caso de rotura, menos de metade dos casos chega com vida ao hospital", frisou o investigador, referindo que "a melhor forma de prevenção é o rastreio através de uma simples ecografia abdominal".
O docente da FMUP lembrou que "a ausência de sintomas não representa a ausência da doença", pelo que a promoção do rasteio se torna vital.
Aos utentes que participaram no rastreio foi fornecida uma nota informativa com o resultado do exame para o respectivo médico de família. Os doentes em risco foram reencaminhados para um Serviço de Cirurgia Vascular, de forma a usufruírem do acompanhamento médico especializado de que necessitavam.
A iniciativa, promovida pela SPACV e apoiada pela FMUP, teve o patrocínio do Alto Comissariado para a Saúde e a aprovação das Administrações Regionais de Saúde.
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