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Assembleia Municipal de Almada rejeitou moção de censura do PSD a Inês de Medeiros

No dia 08 de julho, cerca de 1.500 pessoas juntaram-se num protesto contra a falta de água na Costa da Caparica, exigiram soluções para o problema e pediram a demissão da presidente da Câmara.

22 de julho de 2026 às 07:15

A Assembleia Municipal de Almada rejeitou esta quarta-feira a moção de censura do PSD ao executivo camarário liderado pela socialista Inês de Medeiros, na sequência dos cortes no abastecimento de água à população, particularmente na Costa da Caparica.

A moção de censura do PSD teve o voto contra do PS, da CDU e do Livre, a abstenção do BE e os votos favoráveis do PSD, IL e Chega, após uma longa discussão que terminou madrugada dentro, com a rejeição da moção de censura apresentada pelo deputado municipal do PSD, Luís Durão.

"Não surpreende que a moção de censura tenha sido chumbada, já estávamos à espera. Há uma coligação PS/CDU e era mais do que natural. O que o PSD queria era levar os temas a discussão pública", disse.

No início da reunião extraordinária da Assembleia Municipal, na sala Pablo Neruda do Fórum Romeu Correia, com lotação esgotada e algumas dezenas de munícipes no exterior, Luís Durão lembrou os motivos da moção de censura apresentada pelos social-democratas.

"Começamos pelo capítulo mais recente, a crise do abastecimento de água. Faltou, novamente, água em Almada e vamos recuar a maio: os níveis dos reservatórios, que deveriam rondar os 60%, começam a cair, semana após semana, chegam a cerca de 10% antes da Câmara reagir. No final de junho, a água já começa a faltar aos almadenses, na Costa da Caparica, na Charneca e em todo o concelho. E só a 06 de julho é ativado o Plano de Contingência. E só a 08 de julho é declarada a situação  de alerta", afirmou.

Luís Durão sublinhou ainda que a moção de censura não nasceu de um incidente isolado, mas da "acumulação de falhas em nove áreas essenciais para a cidade: água, proteção civil, habitação, higiene urbana, energia, fiscalidade, escolas, centros de saúde e o crescimento descontrolado de bairros de barracas".

Em resposta às muitas críticas que ouviu durante cinco horas e meia de reunião, a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, garantiu que o problema da falta de água "não foi uma questão de fugas nem de infraestruturas" e garantiu que não estava a fugir à necessidade de se renovarem as infraestruturas de abastecimento de água no concelho.

"Estamos a falar de um problema estrutural que abrange, não toda a Península de Setúbal, mas três municípios, Seixal, Almada e Sesimbra, sendo que Almada é o município mais desfavorecido geograficamente", disse a autarca socialista, sem responder a algumas questões que lhe foram colocadas, designadamente quanto ao tempo previsto para o fim dos cortes temporários e normalização do abastecimento de água.

"Estamos a desenvolver todas as iniciativas necessárias para criar a redundância [no abastecimento de água]. E não estamos só a falar sobre isso, estamos a tomar as medidas para que no mais curto espaço de tempo possamos conversar com as Águas de Portugal, com a EPAL, para arranjarmos redundâncias, enquanto estamos a relançar os estudos da AIA [Associação Intermunicipal de Água da Região de Setúbal]", acrescentou Inês de Medeiros, reconhecendo que poderá ter havido alguma "falta de sentido de urgência" para o problema em anteriores mandatos.

À porta da sala Pablo Neruda ficaram alguns munícipes revoltados por terem sido impedidos de assistir à reunião extraordinária e que gritavam palavras de ordem a pedir a demissão de Inês de Medeiros, mas a situação ficou normalizada sem problemas de maior com a chegada da PSP.

"Nasci aqui, tenho 68 anos, tenho o direito de estar ali dentro. Almada tem espaços maiores. Isto é mesmo para limitar a entrada das pessoas", disse à Lusa Carlos Costa, um dos almadenses inconformado por não lhe ser permitida a entrada na reunião da Assembleia Municipal de Almada.

A população de Almada, em particular os residentes na Costa da Caparica, foram confrontados com sucessivos cortes no abastecimento de água desde o início do mês de julho, tendo a câmara municipal decretado a situação de alerta.

Entre as medidas anunciadas por aquela autarquia do distrito de Setúbal para repor as reservas de água, além dos cortes temporários do abastecimento em determinadas zonas do concelho, das 22:00 às 06:00 do dia seguinte, foram proibidas todas as utilizações de água da rede pública que não correspondam a usos domésticos ou essenciais.

No dia 08 de julho, cerca de 1.500 pessoas juntaram-se num protesto contra a falta de água na Costa da Caparica, exigiram soluções para o problema e pediram a demissão da presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, mas a autarca socialista reafirmou esta noite que não se demite.

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