Lisboa "saiu reforçada", nas recentes chuvas fortes e persistentes, que provocaram várias inundações em que o volume de chuva foi equiparado a 1967.
A Assembleia Municipal de Lisboa aprovou esta quinta-feira, por unanimidade, recomendar à câmara a instalação de sistemas de controlo de acesso aos túneis rodoviários do concelho onde haja risco de alagamento, proposta apresentada pelo partido Aliança.
Na reunião deste órgão deliberativo do município, o deputado municipal do Aliança, Jorge Nuno de Sá, propôs ainda recomendar à Câmara de Lisboa "a instalação de um sistema de aviso à população por SMS, de âmbito concelhio, que possa ser usado pelo SMPC [Serviço Municipal de Proteção Civil] em tempo real para fornecer informação sobre fenómenos de risco extremo ou acidentes graves, bem como sobre as medidas de autoproteção a adotar".
Essa recomendação foi rejeitada, com os votos contra de PS, PCP e PEV, a abstenção de PSD, BE, Livre, MPT, Chega e deputados independentes do Cidadãos por Lisboa (eleitos pela coligação PS/Livre) e os votos a favor de PAN, Iniciativa Liberal (IL), PPM, Aliança e CDS-PP.
Por unanimidade, os deputados municipais viabilização a proposta do Aliança para "recomendar à Câmara Municipal de Lisboa a instalação de sistemas de controlo de acesso aos túneis rodoviários do concelho onde haja risco de alagamento, com base no histórico de ocorrências nesses locais, os quais deverão ser acionados de forma automatizada em função da parametrização de risco definida pelo Serviço Municipal de Proteção Civil".
Antes da votação dessa recomendação, o deputado municipal do Aliança fez uma alteração à redação inicial da proposta, eliminando a indicação de que esses sistemas de controlo poderiam ser "através de semáforos e cancelas" nas entradas dos túneis.
Durante a discussão das propostas, Duarte Marçal, do PS, considerou que a recomendação do Aliança para a instalação de um sistema de aviso à população pretende "encobrir as responsabilidades do executivo que suporta", da coligação "Novos Tempos" (PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança), enquanto Natacha Amaro, do PCP, justificou o voto contra por considerar que a proposta significaria uma duplicação ao que existe a nível nacional.
As recentes intempéries em Lisboa dominaram o debate de declarações políticas, com o grupo municipal do PS a criticar o "desnorte político" do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), na coordenação da resposta às chuvas fortes e persistentes, porque "vestiu as galochas, esteve no terreno e fez o seu número mediático, mas não coordenou os serviços".
O socialista Duarte Marçal realçou, ainda, o papel do PS no Plano Geral de Drenagem de Lisboa (PGDL), que foi "quem retirou da gaveta" e iniciou a obra, inclusive com a construção de bacias de retenção.
Luís Newton, do PSD, disse que, "com matéria de desastres naturais, desgraça alheia, não se deve fazer política" e afirmou que "o PGDL é António Carmona Rodrigues, não é Partido Socialista, não é António Costa, não é Fernando Medina", referindo que a primeira intervenção do PS foi cancelar o PGDL em 2008.
Em resposta, o líder do grupo municipal do PS, Manuel Lage, confirmou que o plano foi suspenso em 2008, porque "havia falta de verbas", responsabilizando o PSD pelo estado das finanças do município nessa altura e indicando que, em 2015, foi possível recuperar e apresentar o PGDL.
Da parte do grupo municipal do Chega, Bruno Mascarenhas criticou o tempo gasto a "discutir quem é o pai da criança" do PGDL, considerando que o plano é herança do PS e do PSD, e apontou que, em relação às recentes intempéries na cidade, "nem tudo foi feito para precaver o que aconteceu".
Em representação da Câmara de Lisboa, o vice-presidente do executivo, Filipe Anacoreta Correia (CDS-PP), assegurou que as respostas ao mau tempo "correram bem", entendendo que, por causa desse mesmo balanço, o apelo de união partidária não seja acolhido e se façam críticas, "que acabam por ser injustas aos serviços, aos mesmos que elogiam pelo trabalho que fizeram".
Anacoreta Correia realçou que a cidade de Lisboa "saiu reforçada", após as recentes chuvas fortes e persistentes, que provocaram várias inundações, nomeadamente nos dias 07 e 08 de dezembro e na passada terça-feira, em que o volume de chuva foi equiparado a 1967, ano em que as cheias provocaram 700 mortes, enquanto nas últimas intempéries "não houve nenhuma vítima mortal em Lisboa, mas houve em Algés", no concelho de Oeiras, distrito de Lisboa.
A chuva intensa e persistente que caiu na terça-feira causou mais de 3.000 ocorrências, entre alagamentos, inundações, quedas de árvores e cortes de estradas, afetando sobretudo os distritos de Lisboa, Setúbal, Portalegre e Santarém.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.