Farmácias não conseguem vender medicamentos comparticipados.
Uma falha informática está a paralisar os cuidados de saúde primários em todo o país, impedindo o acesso aos processos clínicos dos utentes, a prescrição de medicamentos e a requisição de exames, alertou esta sexta-feira o Sindicato Independente dos Médicos.
"Neste momento existe uma falha do sistema informático a nível nacional nos cuidados de saúde primários", disse à agência Lusa o secretário regional do Norte do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Hugo Cadavez.
Segundo o dirigente sindical, a interrupção dos sistemas informáticos começou cerca das 08:50 e está a provocar constrangimentos significativos na atividade dos centros de saúde.
Explicou que os profissionais não conseguem consultar os processos dos doentes, aceder aos antecedentes clínicos, prescrever medicamentos ou requisitar exames complementares de diagnóstico.
De acordo com o responsável do SIM, a situação afeta médicos, enfermeiros e assistentes técnicos, incluindo os serviços administrativos das unidades de cuidados de saúde primários.
Nos hospitais, acrescentou, os constrangimentos verificam-se nos sistemas que dependem de ligação à internet.
"Qualquer sistema informático hospitalar que dependa da ligação à internet, neste momento não funciona, porque aparentemente há uma falha na rede informática dentro do Serviço Nacional de Saúde", sublinhou Hugo Cadavez.
"Esta falha começou por volta das 8h50 da manhã. Até agora [10h30] não há informação oficial comunicada às unidades de saúde, nomeadamente aos médicos, e, portanto, aquilo que se vai sabendo depende de contactos que os médicos vão fazendo com os seus apoios informáticos locais, das unidades locais de saúde, e a informação que vão conseguindo obter por essa via", Hugo Cadavez.
Ao Correio da Manhã, a SPMS - Serviços Partilhados do Ministério da Saúde - confirmou que "houve uma uma falha de energia que causou perturbações no acesso a alguns serviços e sistemas de informação que suportam a atividade do Serviço Nacional de Saúde". A SPMS reitera que "os serviços e sistemas estão a ser progressivamente repostos, esperando-se que regresse tudo à normalidade com a maior brevidade".
Contactada pela agência Lusa, a presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF), Ema Paulino, disse que o problema também está a afetar as farmácias.
"Não estamos a conseguir aceder à base de dados de prescrições e não conseguimos fazer a dispensa eletrónica", adiantou Ema Paulino, referindo que os constrangimentos começaram cerca das 09h00 desta sexta-feira.
O SIM acrescentou em comunicado que esta falha está a afetar também os serviços de saúde das Regiões Autónomas e setor privado de todo o território nacional, com constrangimentos reportados no acesso à emissão de Certificados de Incapacidade Temporária (CIT) e à Prescrição Eletrónica Médica (PEM).
"Esta situação não é um mero constrangimento técnico. É uma falha crítica de funcionamento do SNS, com consequências imediatas para os médicos, para os restantes profissionais de saúde e, sobretudo, para os doentes", critica.
O Sindicato Independente dos Médicos exigiu esclarecimentos urgentes do Ministério da Saúde e da Serviços Partilhados do Ministério da Saúde sobre a causa da falha, o tempo previsível de reposição, as medidas de contingência ativadas, as garantias de segurança clínica e proteção de dados e as medidas que serão adotadas para evitar a repetição de episódios desta natureza.
"É indispensável que sejam dadas informações claras às unidades de saúde, aos médicos e aos utentes. O silêncio, a descoordenação e a ausência de instruções uniformes agravam a insegurança e empurram para os profissionais a gestão de uma crise que é estrutural e organizativa", defendeu.
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