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Assembleia Municipal de Lisboa vai pedir documentos sobre transferência de escola Rainha Santa Isabel

Decisão foi tomada na sequência da audição das representantes de uma petição contra a mudança de agrupamento da escola.

14 de abril de 2026 às 14:46

A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) decidiu esta terça-feira que vai pedir uma série de documentos sobre a transferência de agrupamento da Escola Básica Rainha Santa Isabel, que consta da Carta Educativa que está prestes a ser aprovada.

A decisão foi tomada na sequência da audição das representantes de uma petição "contra a mudança de agrupamento da Escola Básica Rainha Santa Isabel", na 7.ª comissão permanente da AML.

Na petição, os encarregados de educação questionam a decisão, alegando que a comunidade escolar não foi ouvida e que não foi feita uma avaliação de impacto.

Mafalda Ambrósio e Joana Cabral, representantes da associação de pais e encarregados de educação da Rainha Santa Isabel, detalharam as "implicações diretas" da mudança, entre as quais a distância da Escola Manuel da Maia (sede do novo agrupamento) e consequente alteração do percurso escolar e a descontinuidade do ciclo (que termina no 9.º ano, obrigando a outra mudança de escola).

"É uma decisão que vai ter muitas implicações na nossa escola, no formato em que a conhecemos hoje", assegurou Mafalda Ambrósio, recordando que a Santa Isabel esteve para fechar há 12 anos, mas, no último ano, teve de deixar crianças de fora, dado o aumento da procura, apesar de funcionar em contentores há cinco anos, por causa das obras em curso.

"Em nenhum momento houve consulta junto da comunidade escolar nem qualquer tipo de comunicação sobre o que estava a acontecer", acrescentou Joana Cabral, relatando que souberam da alteração de agrupamento, "de forma informal", apenas no dia 16 de março.

"Não somos contra a nova Carta Educativa, apenas queremos reverter esta alteração", disse, estranhando que a única alteração de agrupamento seja a troca entre a Santa Isabel, que passa para a Manuel da Maia, e a Fernanda de Castro, para a Josefa de Óbidos.

Dado que houve um processo de auscultação de juntas de freguesia e entidades ligadas à educação, sem que, aparentemente, a decisão tenha sido questionada, a deputada Angélique da Teresa (IL, partido a que pertence o atual vereador de Educação) pediu que sejam requisitados pareceres e outros documentos sobre declarações feitas e decisões tomadas.

"Isto é gravíssimo, alguém nos está a mentir", lamentou, pedindo comprovativos da concordância dada pelos presidentes das juntas em causa, Campo de Ourique e Estrela (ambas lideradas pelo PSD).

A Carta Educativa foi fechada no Conselho Municipal de Educação de julho de 2025, no qual "diretores de agrupamentos foram envolvidos e não se opuseram nem contestaram", segundo apurou, confessando "surpresa" face à contestação.

"Houve um consenso enorme à volta desta carta e um procedimento alargado de consulta", lembrou.

Também Carlos Ardisson (CDS-PP) assegurou que a Carta Educativa foi devidamente debatida, pelo menos na junta de freguesia do Parque das Nações, a que preside, e questionou as representantes sobre se o assunto chegou ao agrupamento da Santa Isabel.

Mafalda Ambrósio, que há três anos integra o conselho geral, garantiu que o tema "não foi nunca debatido".

"Não tivemos nunca acesso à consulta pública", disse a peticionária, considerando que "um assunto assim importante deve ser falado e fundamentado" e recusando que a justificação da mudança seja dada em "dois simples parágrafos" da Carta Educativa.

"Não queremos de todo estar a acusar ou a levantar suspeitas, mas é demasiado importante para ser 'um diz que disse'", destacou, concordando que se reveja toda a documentação associada ao processo e adiantando que já pediram esclarecimentos à Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), que participa no Conselho Municipal de Educação, mas que "nunca falou sobre o assunto".

Os peticionários exigem saber os fundamentos da alteração e a sua justificação, bem como o que trará de melhor para a população servida pela escola Rainha Santa Isabel, situada na confluência de várias freguesias e frequentada por 102 crianças do 1.º ciclo.

A reivindicação encontrou apoio à esquerda, nomeadamente de PS, PCP e PEV, que acompanharam o pedido sobre os motivos da alteração de agrupamento e a avaliação do seu impacto.

Em audição anterior, o vereador Rodrigo Mello Gonçalves, com o pelouro da Educação, garantiu que a mudança só ocorrerá no ano letivo de 2027/2028.

Esta terça-feira, a presidente da comissão permanente, Mafalda Cambeta, lembrou estas declarações, pedindo que a informação conste do relatório.

No final da audição, Mafalda Cambeta elencou os documentos que pedirá ao vereador: o pedido de parecer relativo à Carta Educativa enviado a todas as juntas de freguesia em 2023 e os pareceres elaborados por Campo de Ourique e Estrela; atas das reuniões entre a CML e as duas juntas e os diretores dos dois agrupamentos, 'email' de resumo enviado posteriormente para solicitar concordância e respostas das partes; eventuais declarações de voto sobre a Carta Educativa registadas em ata; documento que comprove "alguma reclamação por parte dos auxiliares" da escola Rainha Santa Isabel e listagem dos participantes no Conselho Municipal de Educação.

Com votos a favor da governação PSD/CDS-PP/IL, contra do BE e abstenção de PS, Livre, PCP e Chega, a Carta Educativa foi aprovada pela CML em fevereiro, prevendo obras em 49 escolas públicas, num investimento de cerca de 743 milhões de euros, e a construção de 27 novos edifícios, por cerca de 306 milhões de euros.

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