"Mais do que os nomes, interessam as políticas que vão ser desenvolvidas", salientou o presidente da AEP.
A Associação Empresarial de Portugal (AEP) defende a criação no novo Governo de uma "'task force' interministerial focada na competitividade", a aposta num programa de reindustrialização e a orientação dos fundos europeus para as "reais necessidades" das empresas.
Comentando, em declarações à agência Lusa, a orgânica do novo Governo, anunciada na quarta-feira pelo gabinete do primeiro-ministro, António Costa, o presidente AEP considerou que, "mais do que os nomes, interessam as políticas que vão ser desenvolvidas".
Para Luís Miguel Ribeiro, as "três prioridades" do novo ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva, devem ser a inversão da "trajetória de empobrecimento relativo do país", a "valorização da indústria" e a "orientação dos fundos europeus em prol da competitividade e da sustentabilidade da economia portuguesa".
"Numa altura em que ficamos a saber [segundo dados divulgados na quarta-feira pelo Eurostat] que, no contexto dos países da União Europeia, Portugal regrediu o seu posicionamento relativo no PIB [Produto Interno Bruto] 'per capita' em Paridade de Poder de Compra, tendo passado da 9.ª pior posição no ano pré-pandemia (78,6% da média europeia, em 2019) para a 7.ª pior posição em 2021 (74,2% da média), ultrapassado pela Polónia e Hungria, é muito evidente a necessidade de políticas públicas ajustadas, que invertam esta trajetória de empobrecimento relativo do nosso país", sustentou.
Neste contexto, a AEP apela para "uma forte articulação entre os vários ministérios, que permita materializar uma espécie de 'task force' interministerial para a melhoria da competitividade da economia portuguesa e para a correção de debilidades estruturais e eliminação de custos de contexto".
Paralelamente, o dirigente associativo considera "essencial" a "valorização da indústria -- nomeadamente através de um programa de reindustrialização --", nos moldes em que a AEP tem vindo a propor, salientando o "elevado potencial de inovação e de efeito de arrastamento em vários setores de atividade económica, a montante e a jusante", que esta estratégia pressupõe.
A terceira prioridade apontada por Luís Miguel Ribeiro é a "orientação dos fundos europeus em prol da competitividade e da sustentabilidade da economia portuguesa, com uma execução célere e eficaz, adaptada às reais necessidades das empresas e do país".
Relativamente ao perfil do novo ministro da Economia e do Mar, a associação considera que, por ter estado "na génese" do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), Costa Silva "tem já uma reflexão estratégica sobre os principais problemas/obstáculos e, também, sobre as oportunidades/desafios que o país e as empresas enfrentam".
A AEP lembra ainda que, recentemente, recebeu António Costa Silva nas suas instalações, tendo-lhe, na altura, transmitido "de viva voz muitos dos problemas do tecido empresarial, fortemente agravados pelos impactos negativos da pandemia e, agora, do conflito internacional Rússia/Ucrânia".
O primeiro-ministro, António Costa, apresentou ma quarta-feira, ao Presidente da República, a composição de um Governo com 17 ministros, menos dois do que no anterior.
Há novos titulares nas Finanças (Fernando Medina), nos Negócios Estrangeiros (João Gomes Cravinho), na Defesa (Helena Carreiras), na Administração Interna (José Luís Carneiro), na Justiça (Catarina Sarmento e Castro), na Economia e Mar (António Costa Silva), nos Assuntos Parlamentares (Ana Catarina Mendes), na Ciência e Ensino Superior (Elvira Fortunato), na Educação (João Costa) e no Ambiente (Duarte Cordeiro).
Continuam no executivo, e nas mesmas pastas, Mariana Vieira da Silva (Presidência), Marta Temido (Saúde), Ana Mendes Godinho (Segurança Social e Trabalho), Ana Abrunhosa (Coesão Territorial), Maria do Céu Antunes (Agricultura) e Pedro Nuno Santos (Infraestruturas e Habitação).
Abandonam o Governo 11 ministros: Alexandra Leitão, Graça Fonseca, Francisca Van Dunem, João Leão, Augusto Santos Silva, Pedro Siza Vieira, Nelson de Souza, Matos Fernandes, Manuel Heitor, Tiago Brandão Rodrigues e Ricardo Serrão Santos.
Este é o terceiro Governo chefiado por António Costa e o seu primeiro com maioria absoluta. Pela primeira vez, a composição de um executivo conta com mais mulheres do que homens, excluindo o primeiro-ministro.
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