Polícias registaram 449 participações por crimes de ódio em 2025, um aumento de 6,7% num ano.
As polícias registaram 449 participações por crimes de ódio em 2025, um aumento de 6,7% num ano, de acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) esta terça-feira divulgado, que destaca o recrutamento online de jovens para radicalização.
Segundo os dados do RASI 2025, no que diz respeito a crimes contra a identidade cultural e integridade pessoal registaram-se ainda três participações por crimes de tortura, tratamentos cruéis, degradantes e desumanos (mais um do que em 2024) e 27 participações por outros crimes contra a identidade cultural e integridade pessoal (-13%), "tendo algumas dessas denúncias dado origem à instauração de inquéritos-crime".
O documento assinala o uso da internet e o recurso às redes sociais para a prática destes crimes, partilhando "conteúdos a incitar à violência, ameaçar, injuriar ou difamar indivíduos ou grupos em razão da sua raça, cor, origem étnica, religião, ou orientação sexual".
"Esta realidade revela-se ainda mais preocupante quando se constata que muitos dos suspeitos são indivíduos jovens, alguns deles inimputáveis em razão da idade. Observa-se o envolvimento e a cooptação de jovens por grupos ou organizações com algum grau de estruturação, que recorrem a estratégias agressivas de influência com o objetivo de moldar o pensamento dos indivíduos visados, através de processos de doutrinação e radicalização", lê-se no documento.
Segundo o RASI, os jovens são atraídos com "promessas de pertença" a grupos, que levam os jovens, "na sua grande maioria vulneráveis, a uma distorção da realidade e a um afastamento dos valores (e limites) comummente aceites pela sociedade" e a uma "adesão a teorias da conspiração ou retóricas antissistema".
Perante o crescimento do fenómeno e o seu impacto social, o RASI afirma que é necessário adotar estratégias preventivas de mitigação destes crimes, que atingem sobretudo homens, de diversas nacionalidades, mas sobretudo portugueses.
"O reduzido número de detenções, quando comparado com o volume total de ocorrências registadas, poderá indiciar a complexidade probatória inerente a este tipo de criminalidade, particularmente no que respeita à demonstração da motivação discriminatória", refere o documento, que aponta Lisboa (30%), Porto (15%), Setúbal (9%) e Faro (8%) como as localidades com maior incidência deste tipo de crime.
O RASI refere que "o nível de polarização política, racial, religiosa e/ou sexual, acompanhada de fenómenos de desinformação, tem conduzido, de forma geral, a uma maior crispação da sociedade portuguesa".
"Este sentimento traduz-se em comportamentos de confrontação que têm o seu reflexo em ações de protesto não autorizadas e por vezes disruptivas", lê-se ainda no RASI.
O documento acrescenta que esses comportamentos assumem "contornos de violência verbal ou física, especificamente dirigidas a pessoa ou grupos de pessoas em razão da sua raça, cor, origem étnica, religião ou orientação sexual (afetando de forma direta o normal funcionamento das instituições democráticas e comprometendo a segurança e a proteção de pessoas e bens)".
O RASI 2025 foi esta terça-feira divulgado pelo aprovado em reunião do Conselho Superior de Segurança Interna e entregue ao parlamento, estando disponível na página oficial do Governo.
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