Situação agrava-se com a chegada de caravanistas que se espalham pela região.
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O Litoral Alentejano recebeu nos últimos dias, um aumento "anormal" de turistas e de autocaravanas para alegadamente se refugiarem do novo coronavírus em casas de férias, uma situação que preocupa autarcas e população.
Na Lagoa de Santo André, no concelho de Santiago do Cacém, "uma afluência anormal de autocaravanas de várias nacionalidades, entupiram a zona de estacionamento da lagoa de Santo André o que obrigou a uma intervenção da GNR" explicou o presidente da junta de freguesia, David Gorgulho.
Após relatos de moradores, ao longo do dia de segunda-feira, o autarca decidiu "exigir uma ação bastante incisiva" da GNR, que "garantiu que a bem ou a mal as autocaravanas saiam daquela zona" para dispersar os turistas.
"O que é certo é que se tratou de um ponto muito negativo, porque tivemos muitas autocaravanas de várias nacionalidades, em particular de alemães, que para aqui chegarem tiveram de passar por França e Espanha. Não estamos a brincar às pandemias e as autoridades locais não podem facilitar", avisou o presidente da Junta de Freguesia de Santo André.
Em Vila Nova de Milfontes, no concelho de Odemira, no último fim de semana, foram muitas as pessoas a procurar refúgio na zona, optando pelas casas de férias ou recorrendo ao aluguer de imóveis.
"Tivemos muitos turistas durante o fim de semana, uns com casa de férias e outros que alugaram casas para declaradamente fazerem a quarentena no Alentejo", sublinhou Francisco Lampreia presidente da Junta de Freguesia de Vila Nova de Milfontes, acrescentando que Vila Nova de Milfontes recebe ao longo do ano "muitos turistas do norte da Europa" e que, "numa situação destas, vão ficando e não se vão embora".
A população do Litoral Alentejano concorda com a decisão da Capitania do Porto de Sines de interditar todas as atividades desportivas ou de lazer que impliquem aglomerados de pessoas nas praias, como medida de prevenção face ao surto de coronavírus em Portugal.
António Silva habitante em Vila Nova de Milfontes afirmou que "penso que é a melhor solução porque assim evita a concentração de pessoas nas praias", já Mariana Simões, reformada e que tem uma casa de férias em V. N. de Milfontes, concorda com a medida, mas defende que "as pessoas devem é ficar em casa e evitar correr riscos desnecessários".
Num fim de semana, onde muitas pessoas de outras zonas do país e do estrangeiro escolheram Vila Nova de Milfontes para passar estes dias de sol, Mário Sobral considera que "a presença de tantos turistas aqui é um grande risco para todos nós, porque não sabemos de onde vem, nem onde estiveram. As pessoas deviam de resguardar-se mais, evitar juntar-se nas esplanadas ou noutros locais públicos".
Ao seu lado António Oliveira, acrescenta que "até ao momento não existe nenhum caso positivo no Alentejo, mas é uma questão de tempo, porque não existe nenhum controle na movimentação das pessoas e nas entradas no país".
De acordo com o edital da Capitania do Porto de Sines, a interdição das praias visa "minimizar a probabilidade de disseminação do referido vírus" na sua área de jurisdição.
Recorde-se que a área de jurisdição da Capitania do Porto de Sines vai da praia das Fontainhas, em Grândola, a Norte, até à foz da Ribeira de Seixe, em Odemira, a sul.
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