Presidente da Câmara, Inês de Medeiros, avança que na sequência das intempéries 230 pessoas foram alojadas de emergência pelo município.
A presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, admitiu esta segunda-feira que muitas das pessoas que tiveram de sair das habitações no concelho devido ao deslizamento de terras, na sequência do mau tempo, não conseguirão regressar às casas.
Segundo a autarca, que falava no início da reunião do executivo camarário, na sequência das intempéries 230 pessoas foram alojadas de emergência pelo município.
Contudo, acrescentou, existem muitas outras que foram acolhidas por familiares, mas que terão de ser contabilizada para a necessidade de casa, "porque em muitos casos não vai ser possível regressar às habitações".
Inês de Medeiros explicou que a situação mais crítica no concelho, no distrito de Setúbal, ocorre em Porto Brandão e na Azinhaga dos Formozinhos, embora também tenham sido registados vários deslizamentos de terra na Costa da Caparica, alguns deles atingindo habitações.
Cerca de 500 pessoas da zona de Porto Brandão estão deslocadas.
Ainda de acordo com a autarca, ainda esta segunda-feira será criada uma 'task force' municipal para dar respostas às situações atuais, preparar a reabilitação, bem como o futuro.
Equipas da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Nova de Lisboa, com quem a autarquia tem protocolo, foram também acionadas para a monitorização das arribas, acrescentou, explicando que desde 2023 que a autarquia tem trabalhado com a FCT para avaliar esses locais.
Estas equipas, continuou, irão nos próximos dois anos monitorizar a vertente ribeirinha e toda a arriba fóssil.
Por outro lado, a Câmara Municipal de Almada pediu também ajuda ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).
"Os nossos serviços estão no máximo das suas capacidades e precisamos, não de um levantamento das ocorrências, mas sim de um apoio claro para estas movimentações de massa e decidir o que se pode fazer. Se se provoca a queda ou se continuamos nesta dura dolorosa espera e em prevenção", disse Inês de Medeiros.
O LNEC, contou, já esteve na Costa de Caparica na altura do deslizamento de terras junto a umas habitações em São João da Caparica, mas a avaliação que foi feita não é ainda conhecida, nem foi facultada à autarquia, tendo sido dada indicação ao município de que são dados confidenciais.
Ainda a propósito do apoio do LNEC, a autarca defendeu que técnicos do laboratório deveriam também avaliar a zona de Porto Brandao e da Azinhaga dos Formozinhos.
Desde o início das tempestades que assolaram o território português, o concelho de Almada tem registado vários deslizamentos de terras nas arribas da Costa da Caparica e de Porto Brandão.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.
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