Funcionários exigem um reforço das equipas e alertam para os perigos que os alunos correm.
Numa escola lisboeta com mais de 600 crianças trabalham agora apenas 10 funcionários que vão fazer greve esta quinta-feira para exigir um reforço das equipas e alertar para os perigos que correm os alunos.
Fátima Cardoso começou a trabalhar na Escola Básica 2,3 de Telheiras em 1999: "Na altura éramos 20, hoje somos 10", contou à Lusa a assistente operacional que vai fazer greve "pelos direitos dos alunos e dos trabalhadores".
Entre 14 trabalhadoras que deveriam estar ao serviço, há quatro de baixa médica, acrescentou Fátima Cardoso, sublinhando que há cada vez mais trabalho feito por cada vez menos gente. "Estamos exaustas", desabafou.
Além do cansaço físico, as funcionárias dizem estar psicologicamente desgastadas.
"Estamos a tentar fazer tudo, mas falha sempre alguma coisa. Temos falta de vigias nos pátios e, nos intervalos, temos de decidir se respondemos aos alunos ou aos professores, que também precisam de apoio. Eu opto sempre pela segurança das crianças, que considero ser prioritária", contou Fátima Cardoso.
No entanto, o recreio "é muito grande" e mesmo andando de um lado para o outro ficam sempre algumas zonas desprotegidas, acrescentou.
A funcionária disse que o problema é conhecido pela direção escolar, que "está do lado dos trabalhadores, mas não consegue dar resposta".
Também os encarregados de educação apoiam a greve e prometem estar presentes no protesto que começa quinta-feira às 08:30 em frente à Escola Secundária Vergílio Ferreira, sede do agrupamento.
A greve foi marcada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas para chamar a atenção para a falta de pessoal e alertar para os "impactos negativos na qualidade do serviço público" e para o "grande desgaste" dos funcionários.
A presidente da Associação de Pais da Escola EB 2,3 de Telheiras, Ana Inês Barros, confirmou a falta de trabalhadores "num dos maiores agrupamentos de Lisboa", com mais de quatro mil alunos.
Os pais conhecem bem os efeitos da falta de auxiliares: Nos intervalos "há zaragatas entre colegas", os passeios e visitas de estudo diminuíram porque não há quem acompanhe as crianças, o acesso ao campo de futebol foi bloqueado e até houve casas de banho encerradas porque não havia quem as limpasse, contou à Lusa Ana Inês Barros.
"As auxiliares estão esgotadas", reconheceu a mãe, sublinhando que a situação é resultado da falta gente.
"Está uma auxiliar na portaria, outra na biblioteca, duas no bar, uma na reprografia, outra no Ginásio e no espaço exterior acaba muitas vezes por não estar ninguém", enumerou a representante dos encarregados de educação, denunciando haver "cada vez mais agressões e cada vez mais graves".
Perante este cenário, os pais apoiam a iniciativa de funcionárias como Fátima Cardoso que disse à Lusa que na quinta-feira vai "fazer greve para mostrar o descontentamento de trabalhar em condições desgastantes".
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