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Correio da Manhã

Sociedade
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Bispo de Leiria - Fátima "com os olhos em lágrimas" por ser nomeado cardeal

D. António Marto nomeado cardeal pelo Papa Francisco. Consistório é a 29 de junho.
Secundino Cunha 21 de Maio de 2018 às 01:30
D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima
D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima
D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima
D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima
D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima
D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima
D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima
D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima
D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima
"Estava a paramentar-me quando recebi uma comunicação da Nunciatura a dar conta da nomeação. Foi uma surpresa. Fiquei com os olhos em lágrimas".

As palavras de D. António Marto, bispo de Leiria - Fátima e ontem nomeado cardeal pelo Papa Francisco, são reveladoras do mar de emoções que este prelado, natural de Chaves, viveu nas primeiras horas deste domingo.

Pela primeira vez na sua História, Portugal conta com quatro cardeais, embora dois (D. José Saraiva Martins e D. Manuel Monteiro de Castro) não sejam já eleitores, por terem ultrapassado os 80 anos.

O novo purpurado não sabe o que o espera, mas diz que não sonha chegar a Papa e que gostava de continuar na diocese. "O poder não me sobe à cabeça e ser Papa não está, de todo, no meu horizonte", afirmou, assegurando: "O que eu gostava era de continuar aqui na diocese".

"Esta nomeação é consequência da importância de Portugal junto da Santa Sé e, muito provavelmente, do facto de ter mantido várias conversas com o Santo Padre e de ele ter considerado que eu era digno disto", afirmou ontem D. António Marto, lembrando que "quando a Igreja pede, os seus servidores não podem dizer que não".

Natural de Tronco, concelho de Chaves, António Augusto dos Santos Marto esteve na primeira linha, em finais de 2012, juntamente com D. Manuel Clemente, para o cargo de patriarca de Lisboa. Dizem os mais próximos que comunicou a Bento XVI que não se sentia com saúde para o lugar. No entanto, o caminho do cardinalato estava traçado.

Aquele que é um dos mais humildes e simpáticos prelados portugueses, "herança do pai", segundo afirma, recebe o barrete cardinalício no consistório de 29 de junho.

PERFIL
António Marto nasceu em Tronco, Chaves, a 5 de maio de 1947. Foi ordenado padre em 1971, em Roma, onde prosseguiu os estudos e concluiu doutoramento em 1977. Foi professor no Seminário Maior do Porto e na Universidade Católica. Em 2000, foi nomeado bispo auxiliar de Braga por João Paulo II, que, em 2004, o nomeou titular de Viseu. Em 2006, Bento XVI tornou-o bispo de Leiria-Fátima. Aos 71 anos é nomeado cardeal.  

D. António Marto é o 45º cardeal em toda a História da Igreja Católica portuguesa
O primeiro cardeal português, Mestre Gil, foi nomeado pelo Papa Urbano IV, ainda no tempo de D. Afonso Henriques. O único a chegar a Papa foi Pedro Hispano. Elevado a cardeal em 1274, foi eleito em 1276, escolheu o nome de João XXI e morreu, oito meses depois, vítima de uma derrocada, em Itália. A maioria dos 45 cardeais portugueses foram patriarcas de Lisboa, já que em 1716 o titular desta diocese passou a ter direito ao cardinalato.

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