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Mesmo que houvesse disponibilidade financeira, associação aponta que "não há forma de contratar mais bombeiros" e especifica que efeitos do serviço de formação de recrutas que foi aberto só se farão sentir dentro de um ano e meio.
A presidente da Associação dos Bombeiros da Calheta, na ilha de São Jorge, afirmou esta ser inviável assegurar o serviço noturno de emergência na freguesia do Topo devido ao "significativo" esforço financeiro e humano que é necessário fazer.
Na Comissão de Política Geral do parlamento dos Açores, Leocádia Silva recordou que este serviço, que encerrou em janeiro, foi uma opção da associação em 1996, mas "nunca constituiu uma obrigação formal".
A audiência na comissão parlamentar surge na sequência de uma petição subscrita pelas presidentes das juntas de freguesia do Topo e de Santo Antão, com 1.400 assinaturas, a contestar o encerramento do serviço de emergência no período noturno.
A freguesia do Topo, na ilha de São Jorge, além de possuir uma população envelhecida, é frequentemente assolada por nevoeiro, particularmente no inverno, o que dificulta o apoio prestado.
A presidente da direção da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Calheta (AHBVC) explicou aos deputados que uma tripulação em serviço noturno implica uma equipa de seis elementos, quando são três os bombeiros afetos ao Topo, salvaguardando que a decisão de acabar com aquele serviço, tomada em janeiro, "resulta da realidade operacional".
Leocádia Silva apontou que o custo anual com um bombeiro na associação situa-se entre os 17 e os 27 mil euros, sendo o encargo anual com o serviço de emergência noturno estimado entre 120 a 140 mil euros.
A presidente da AHBVC explicou que, no atual contexto, existe uma "reduzida margem financeira para assumir novos encargos", frisando que "não se trata de falta de vontade, mas gestão de serviços rigorosos".
No entanto, a responsável salvaguardou que se mantém o serviço de pré-emergência hospital durante o dia, assegurado pelos bombeiros.
Mesmo que houvesse disponibilidade financeira, Leocácia Silva disse que "não há forma de contratar mais bombeiros" e especificou que os efeitos do serviço de formação de recrutas que foi aberto só se farão sentir dentro de um ano e meio.
Também ouvido na Comissão de Política Geral do parlamento dos Açores, o presidente da Câmara Municipal da Calheta, António Viegas de Sousa, considerou que esta é uma "luta justa da população da zona", havendo "muita preocupação com o tempo de resposta inadequado", principalmente no inverno, devido ao nevoeiro.
O autarca referiu também que disponibiliza um apoio de 30 mil euros anuais para os bombeiros, além do valor disponível de 5.700 para o serviço noturno.
Por seu turno, o presidente da Federação dos Bombeiros dos Açores, José Manuel Ferreira, destacou a "exiguidade de recursos humanos nas ilhas mais pequenas face aos valores pagos e ao risco", bem como os "valores exíguos para garantir o número de elementos suficientes".
O secretário regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, que tutela Proteção Civil, esclareceu na comissão parlamentar que a decisão de encerrar o serviço noturno no Topo "não foi do Governo dos Açores", tendo sido "decidido sem consulta" do executivo açoriano.
Alonso Miguel considerou que, "para se manter este serviço, é preciso mais uma tripulação", o que implica um valor de 130 mil euros anuais.
A tutela "gostaria de ter recursos financeiros 24 horas por dia em todos os sítios", afirmou.
O responsável político exemplificou que o Topo "apresenta a menor casuística operacional" dos restantes postos avançados dos bombeiros existentes nos Açores, uma vez que "70% das ocorrências registam-se durante o período diurno", que continua assegurado.
A atividade operacional registada em 2025, no período noturno, "correspondeu, em média, a uma ocorrência em cada 12 dias", acrescentou.
"Desde a cessação do serviço de prevenção noturna, em 01 de janeiro de 2026, até à presente data, registaram apenas oito ocorrências, o que corresponde, em média, a uma ocorrência em cada 20 dias", afirmou.
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