No momento em que a lua tapou o sol por completo, ouvia-se, entre a multidão, palavras como "uau", "brutal", "maravilhoso".
O eclipse total do Sol transformou o dia em noite em Bragança e o momento em que a luz deu lugar à escuridão, acompanhado de uma breve brisa, arrancou sorrisos, palmas, gritos e lágrimas à multidão.
À medida que a lua ia tapando o sol e o dia ia anoitecendo, as milhares de pessoas concentradas no aeródromo de Bragança iam mostrando mais entusiasmo e gritando "está quase" ou "já falta pouquinho".
Pouco depois das 19h30, e no momento em que a lua tapou o sol por completo, ouvia-se, entre a multidão, palavras como "uau", "brutal", "maravilhoso", "espantoso" ou "fantástico".
Com óculos adaptados e de olhos postos no céu, as pessoas, de pé, deitadas em mantas ou sentadas em cadeiras dobráveis, iam aplaudindo o "fenómeno único" a que acabavam de assistir, tendo, muitas delas, chorado de emoção.
"Emocionei-me, confesso", contou à Lusa Gustavo Leal que, após acabar o dia de trabalho, pegou no carro e fez 120 quilómetros de São João da Pesqueira, no distrito de Viseu, até Bragança para não perder este momento.
De regresso a casa, porque quinta-feira é novamente dia de trabalho, Gustavo Leal confessou ir de "coração cheio".
Sobre o que sentiu durante o eclipse total, Gustavo Leal falou numa "sensação indescritível", algo que não consegue explicar.
"Senti uma ligeira brisa, o que foi bom, mas quando a luz desapareceu meteu-me impressão", explicou.
Também Pedro Costa, residente em Lisboa, sentiu um "ligeiro vento" durante segundos.
"Foi um grande espetáculo, foi algo único, correspondeu totalmente às expectativas", assinalou.
Não sabendo se presenciará outro, Pedro Costa registou o momento numa máquina fotográfica para ficar para a posteridade e recordar "para sempre" o que viu.
Relatando um momento "fenomenal", Austelina Rego, que mora em Bragança, confidenciou que quando sentiu o ligeiro vento pediu que aquele levasse tudo de mal com ele.
"Tenho a certeza que levou", afirmou, insistindo ter "mesmo adorado".
Quem também adorou foi Jacinta Afonso, de Alfândega da Fé, que disse que nada do que possa dizer traduz o que viu.
"Foi magnífico, não há palavras, as lágrimas começaram a cair, foi ainda melhor do que esperava", atirou.
Entre a multidão havia já quem, depois deste momento "tão brutal", equacionasse ir ver o eclipse total do Sol que ocorrerá em agosto de 2027 no sul de Espanha.
No final, e já depois das 20:00, as pessoas começaram a arrumar as suas mantas, lancheiras, cadeiras dobráveis ou guarda-sóis e a abandonar o aeródromo a, disseram muitas delas, "transbordar de alegria".
Em Portugal, o eclipse solar desta quarta-feira foi total (100%) apenas numa área restrita do Parque Natural de Montesinho, perto de Bragança.
No resto do país, o eclipse foi parcial, de entre 92% e 99% em todo o território continental e os 74% a 77% nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
Um eclipse total do Sol ocorre quando a Terra, a Lua e o Sol estão perfeitamente alinhados, e a Lua oculta completamente o disco solar por alguns momentos.
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