page view

Brisa não vai pedir compensação ao Estado por derrocada na A1

Comissão Executiva do Grupo Brisa afirma não querer "penalizar os contribuintes portugueses".

25 de fevereiro de 2026 às 14:21

A Brisa não vai pedir compensação ao Estado português pela derrocada na Autoestrada A1, na zona de Coimbra, avançou esta quarta-feira o presidente do organismo no parlamento, revelando que a obra ficará concluída na quinta-feira.

"Não iremos tomar a iniciativa de pedir compensação ao Estado pela derrocada na A1. Não queremos, nesta hora de calamidade e atendendo à materialidade, penalizar os contribuintes portugueses", disse António Pires de Lima, presidente da Comissão Executiva do Grupo Brisa.

Ouvido esta manhã na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, depois de ter sido convocado de urgência para esclarecimentos sobre o que se passou no quilómetro 191 da A1, desde as 17:36 do dia 11 de fevereiro, Pires de Lima referiu que desde logo foram tomadas as medidas para o "encerramento preventivo" naquele sublanço.

De acordo com Pires de Lima, a Brisa foi contactada, na altura, pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil para proceder ao corte da A1, entre Coimbra Sul e Coimbra Norte, em ambos os sentidos, tendo em conta que o dique do Mondego tinha sofrido uma rutura no "exato ponto" da infraestrutura.

"De imediato, espoletámos todas ações necessárias para promover o encerramento preventivo da A1, neste sublanço, em articulação com a GNR, executado prontamente, da forma mais segura possível. Às 18:36, o tráfego estava totalmente limpo no sublanço Coimbra Norte-Coimbra Sul", afirmou.

Segundo o responsável, na segunda-feira, doze dias depois do evento, foi possível "repor em segurança a circulação condicionada do tráfego no sentido Sul-Norte".

"Hoje cumprem-se duas semanas do infeliz evento. Senhores deputados, estou em condições de confirmar aquilo que só a Brisa pode assegurar: daremos a obra como finalizada amanhã, quinta-feira, dia 26 de fevereiro. Pediremos então, ao IMT, que inicie o processo de verificação das condições de total segurança para a reabertura, nos dias seguintes, da total circulação na A1, sublanço Coimbra Sul-Coimbra Norte", afirmou.

Lembrando ainda que a Brisa "não gere diques, ou canais de rega, nem projetos de aproveitamento hidráulico" e que, embora "não se possa pronunciar sobre a adoção de medidas em infraestruturas que são externas à sua concessão, não pode também assumir responsabilidades que não são suas".

As perdas para a Brisa com esta situação "são superiores a 3 milhões de euros", referiu e, sendo certo que "a culpa não é" da empresa, o responsável adiantou: "não iremos tomar a iniciativa de pedir compensação ao Estado pela derrocada na A1. Não queremos, nesta hora de calamidade e atendendo à materialidade, penalizar os contribuintes portugueses.

"A Brisa tem como propósito transformar a qualidade de vida das comunidades que servimos, ligando as pessoas através de uma mobilidade simples, segura e sustentável. Este fim de semana há essa possibilidade e é esse o nosso desejo, esse propósito volta a ser pleno na região de Coimbra, com o restabelecimento da ligação entre o sul e o norte", afirmou.

Pires de Lima explicou na sua intervenção que, pelas 21:30 de 11 de fevereiro, e como resultado do ataque das águas ao muro do aterro contíguo ao viaduto, a laje de transição cedeu, levando ao abatimento da plataforma no sentido Norte-Sul, ao km 191.

De acordo o responsável, a Brisa "não gere diques nem os mantém e não detinha qualquer informação que pudesse antecipar a sua rotura no exato ponto do nosso viaduto", mas prontamente assumiu o compromisso de repor as condições de operacionalidade no sublanço.

O prazo inicial estimado para a recuperação total das vias e da circulação era de cinco a seis semanas, explicou ainda o responsável.

Pires de Lima referiu também que, 15 dias depois do abatimento da plataforma, "por fatores absolutamente externos à Brisa", abriu uma cratera de 20 metros de largura, 15 de comprimento e de oito metros de profundidade, mas a Brisa e os seus parceiros "reergueram a ligação entre Lisboa e Porto".

Pires de Lima sublinhou ainda na sua intervenção que a Brisa gere infraestruturas rodoviárias e gere o viaduto C, do Mondego, lembrando que, entre 2023 e 2024, foi alvo de obras de requalificação e que "não sofreu qualquer dano estrutural" aquando da intempérie.

Segundo o responsável, todos os dias estiveram no local "mais de 70 trabalhadores e técnicos", além de mais de 50 meios -- entre equipamento técnico e transporte --, e 35 camiões percorreram mais de 80 mil quilómetros para transporte das rochas que compuseram o enrocamento.

Em poucos dias, mais de 9 mil toneladas de material pétreo foram depositadas para impedir a erosão do aterro e proteger a área afetada, precisou ainda o responsável.

Em 11 de fevereiro, o rebentamento do dique de Casais, na margem direita do rio Mondego, em Coimbra, junto à Autoestrada A1, levou à erosão do encontro norte com o Viaduto C e subsequente abatimento da plataforma da A1 ao quilómetro 191.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8