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Calculados mais de 1 milhão de euros de prejuízos no concelho de Torre de Moncorvo devido ao mau tempo

Água do rio Sabor e afluentes galgou o leito normal e atingiu, em algumas áreas ribeirinhas, 10 metros de altura.

18 de fevereiro de 2026 às 10:56

Os prejuízos causados pelo mau tempo podem ascender a mais de um milhão de euros no concelho de Torre de Moncorvo, com incidência nas rodovias, equipamentos públicos, caminhos agrícolas, muros ou plantação como pomares ou plantações hortícolas.

Quem passa pelo Vale da Vilariça, no sul do distrito de Bragança, depressa se apercebe que a água do rio Sabor e seus afluentes galgou o seu leito normal tendo atingido, em algumas áreas ribeirinhas, os 10 metros de altura, uma situação atípica para este território habituado a cheias sazonais.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, José Meneses, disse não ter dúvidas, nesta altura, que os prejuízos globais vão ultrapassar um milhão de euros e já pediu ajuda ao Governo para ajudar a mitigar os efeitos do mau tempo.

"Só no espaço de lazer da Praia Fluvial da Foz do Sabor, onde a água dos rios Sabor e Douro subiu até aos 10 metros de altura, e numa primeira análise, a autarquia tem mais de 10 mil euros de prejuízos, só em circuitos elétricos, mobiliário urbano e área de apoio", explicou o autarca social-democrata.

José Meneses acredita em encargos brutais para este município, à semelhança do que aconteceu na zona Centro do país.

"Já apelámos ao Governo, para que possa ser criada uma linha de apoios para ajudar a minimizar os efeitos e a devastação causados pelo mau tempo", disse.

Outra das preocupações do autarca de Torre de Moncorvo é o atraso verificado nas obras de ampliação do tabuleiro e reforço de pilares da ponte que liga o Itinerário Principal (IP2) à aldeia da Foz do Sabor e aldeias vizinhas, onde os prejuízos calculados ascedem aos 200 mil euros, havendo igualmente um atraso de cerca de dois meses nos trabalhos.

"Este prejuízo de 200 mil euros, com certeza, em grande parte, vai ter de ser assumido pelo município. Por outro lado, com o atraso provocado pelas cheias, os trabalhos na ponte da Foz do Sabor não estarão terminados na data prevista que apontava para junho, o que poderá afetar a época balnear, altura em que o espaço atrai muita gente", indicou, acrescentando haver "previsão de só em setembro" estarem concluídas as obras.

Segundo José Meneses, feito um primeiro levantamento no concelho estão registadas, até ao momento, 30 ocorrências devido ao mau tempo.

"Mal o tempo o permita, vamos ter de arregaçar mangas para fazer os trabalhos de recuperação de todos os caminhos, taludes, muros e estradas, com montantes avultados que não estavam previstos no orçamento municipal", vincou.

Para já, não há previsões para o início dos trabalhos, porque ainda há muita água nos terrenos e as máquinas e alfaias não podem entrar.

José Meneses acrescentou que, apesar de ser um ano atípico, as barragens do Baixo Sabor e Feiticeiro ajudaram a regular o caudal do rio Sabor, o que permitiu que os danos não fossem maiores, mas mantém a preocupação com os prejuízos na agricultura da região.

Já Mário Martins, produtor de hortícolas e frutícolas, mostrou-se desesperado com os prejuízos que podem chegar aos 150 mil euros, já que tem culturas arrasadas e outras que não vão produzir este ano, dando como exemplo uma exploração junto à Ribeira da Vilariça que está assoreada por árvores e outros detritos.

"Tenho 10 hectares de laranjal com com mais de 600 árvores de fruto que vão apodrecer, porque estão cobertas de água até à copa e raízes vão apodrecer, já que estão há 25 dias debaixo de água. A juntar a isto, é todo em sistema rega por microexpressão que foi danificado ou destruído", frisou.

Mário Martins pede um maior controlo na gestão do débito da barragem do Baixo Sabor.

"Há aqui uma má gestão, já que a água do rio Douro esta a recuar para o Sabor. É preciso agir para minimizar os estragos. Não há responsabilidades em Portugal", observou.

O agricultor disse ainda que, para fazer face aos encargos, vai governar a sua empresa agrícola, que conta com sete empregados, com outras produções, mas há "que meter as mãos na terra".

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