Para João Paulo Carvalho, presidente da OE/Norte, "falar em enviar doentes para o estrangeiro é algo inacreditável".
A Ordem dos Enfermeiros (OE) Norte afirmou esta quarta-feira que a "calma" que a região "aparenta" é "enganadora" no que se refere à pressão com internamentos covid-19 e exigiu medidas, considerando "inacreditável" pensar no estrangeiro como alternativa.
"Os hospitais já não têm capacidade de resposta. O Norte parece mais calmo, mas é uma calma muito aparente e enganadora. A verdade é que os hospitais do Norte estão no limite das capacidades. Não há o aparato de ambulâncias à porta, mas dentro de portas as coisas estão complicadas e já não conseguem absorver muitos mais doentes", disse o presidente da OE/Norte, João Paulo Carvalho.
Em declarações à agência Lusa, o responsável falou em abertura de alas covid-19 em vários hospitais, nos quais são colocadas equipas "sem prática corrente para doentes críticos" e com "formação pouco adequada, como está a acontecer no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, entre outros.
"O hospital de Gaia está a chegar ao limite e abre enfermarias de um dia para o outro. A Unidade Local de Saúde do Alto Minho [Viana do Castelo] já veio assumir que está em situação crítica. O Hospital de São João e o Santo António [ambos do Porto] também têm problemas", resumiu.
Para João Paulo Carvalho "falar em enviar doentes para o estrangeiro é algo inacreditável".
"Dito na televisão parece simples, parece que se envia doentes para o estrangeiro como se fosse uma mercadoria qualquer a meter no avião", mas "grande parte dos países europeus também enfrentam limitações", alertou.
O responsável vincou que "não é simples fazer transferência de doentes críticos entre dois hospitais relativamente próximos, quanto mais estrangeiro".
"Neste momento não pode ser solução. Ontem [terça-feira] conseguiram meter 19 doentes num hospital privado com uma equipa do Amadora/Sintra, portanto há instalações. Sem esgotar a capacidade instalada nos privados e social, não faz sentido pensar no estrangeiro. Chamem-lhe requisição, chamem-lhe protocolo, o que quiserem. O que sabemos é que os doentes não têm culpa de limitações ideológicas de alguém", referiu.
Na terceira semana consecutiva em que Portugal atinge novos máximos de mortes e novas infeções pelo novo coronavírus, o presidente da OE/Norte mostrou-se "muito preocupado".
"Faz-nos pensar que mais do que planeamento e boa gestão, temos tido sorte. Não podemos deixar que a sorte seja a líder na gestão da pandemia. Nunca tivemos as três grandes regiões em grande pressão ao mesmo tempo", referiu.
Critico de várias medidas da tutela, João Paulo Carvalho apontou que "já se chegou a um ponto em que é preciso resolver o problema na comunidade" e não poupou nos apelos.
"O principal apelo que temos de fazer é um apelo à população para que perceba claramente a gravidade do que estamos a passar. Neste momento, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) está a colapsar e a colapsar muito rapidamente. Era evitável e previsível, mas alguém quis viver no mundo da ilusão. E isto está-se a pagar em vidas (...). Protejam-se! Têm de se manter confinadas", frisou, aproveitando para exigir à tutela que esclareça os portugueses sobre o uso das máscaras.
"Tal como em outros países, façam um estudo sério acerca do grau de segurança que as máscaras comunitárias conferem. As novas variantes, seja a inglesa, a brasileira ou a da África do Sul, são mais virulentas e contagiosas", acrescentou.
O dirigente recordou que "há países [europeus] que já estão a não aconselhar ou a proibir mesmo o uso de máscaras comunitárias", mas também alertou que "a alternativa serão as máscaras cirúrgicas com grau de eficácia", pois "as FFP2 são poucas e têm de ser deixadas para os profissionais de saúde".
João Paulo Carvalho afirmou que, no que se refere a recursos humanos, o Governo está a fazer "uma gestão de necessidade em cima do joelho" e que é será "muito difícil" recrutar no estrangeiro quando se oferecem "contratos de quatro meses com 900 euros líquidos".
Sobre a vacinação, João Paulo Carvalho considerou que a questão do poder político poder ser vacinado como grupo prioritários "está a causar ruído", admitindo que existam alguns cargos -- "como o Presidente da República, o primeiro-ministro e ministros na linha da frente" -- que façam sentido.
"Neste momento há milhares e milhares de profissionais de saúde não estão vacinados. Temos milhares de profissionais das Forças Armadas e das forças de segurança que não estão vacinados. Idosos, doentes de risco. Na terça-feira, quem fez o transporte de doentes do Amadora/Sintra para outros hospitais? Não foram os políticos. Foram os bombeiros e os técnicos de emergência do INEM", concluiu.
A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.159.155 mortos resultantes de mais de 100 milhões de casos de infeção em todo o mundo, enquanto em Portugal morreram 11.305 pessoas dos 668.951 casos de infeção confirmados.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.