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Câmara de Gaia fecha espaço de eventos 'Casa Yala' após "dezenas de reclamações" sobre ruído

Estabelecimento, localizado na antigamente denominada Quinta de São Salvador, em Quebrantões, tem uma "única licença, de utilização industrial, para edifício industrial".

03 de agosto de 2026 às 21:44

A Câmara de Gaia encerrou um estabelecimento de eventos no Cais de Quebrantões após "dezenas de reclamações" relativas ao ruído e desordem pública, revelando ainda que o espaço tem uma licença de utilização industrial, disse esta segunda-feira à Lusa.

Em causa está o estabelecimento Casa Yala, localizado na antigamente denominada Quinta de São Salvador, em Quebrantões (freguesia de Oliveira do Douro), cuja "única licença de utilização é industrial, para edifício industrial", de acordo com respostas de fonte oficial da autarquia à Lusa, que salienta que tal não possibilita ruído ao ar livre de madrugada.

"A Câmara de Gaia emitiu ordem de cessação de utilização de recinto de espetáculos e de divertimento público, tendo a Polícia Municipal cumprido o mandado de notificação deste encerramento no dia 29 de julho de 2026", na quarta-feira, pode ler-se nas respostas à Lusa.

Segundo a autarquia liderada por Luís Filipe Menezes (coligação PSD/CDS-PP/IL), "quer a PSP, quer a Polícia Municipal, quer ainda a Junta de Freguesia de Oliveira do Douro têm recebido dezenas de reclamações, por escrito e telefonicamente, sobre a situação deste espaço".

"As reclamações recaem, também, sobre a desordem provocada pela quantidade de operadores turísticos no rio Douro. Face a estas situações, é necessário acautelar a ordem pública", defende a autarquia, apontando ainda "a incomodidade acústica verificada na sequência do som emanado da discoteca" que "tem sido, igualmente, razão para dezenas de reclamações a propósito do ruído".

A Câmara de Gaia refere ainda que "na Rua Silva Tapada, onde se localiza o estabelecimento, o trânsito é caótico" e "se houver um incêndio, por exemplo, não será possível a passagem dos veículos de socorro".

A autarquia salienta a "excelente articulação" entre a PSP e a Polícia Municipal, dando como exemplo que no dia 16 de julho se realizou "a primeira operação conjunta neste caso, a pedido da PSP, tendo sido determinada a falta de condições de segurança do estabelecimento e consequente encerramento no dia 29 de julho", quarta-feira.

"Importa sublinhar que o incumprimento significaria desobediência, pelo que os responsáveis incorreriam em responsabilidade criminal", conclui.

À Lusa, uma moradora na zona, Sara Sousa, disse que queixou à Câmara, à Provedoria de Justiça e à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Contactado pela Lusa, o responsável pela Casa Yala, Filipe Silva, refere que recebeu a posição da Câmara "com preocupação, mas também com sentido de responsabilidade", pois não tem o objetivo de "criar conflito com a Câmara Municipal, mas sim encontrar soluções que permitam compatibilizar a atividade do espaço com o interesse público e com a comunidade".

"A Casa YÄLA representa um investimento muito significativo em Vila Nova de Gaia, recuperando um espaço que esteve durante muitos anos sem utilização e transformando-o num projeto cultural, turístico e económico que hoje atrai pessoas de todo o país e do estrangeiro", mostrando-se disponível para o diálogo e cooperação institucional.

O responsável afirma ter confiança de que será possível esclarecer "as questões pendentes e encontrar uma solução que salvaguarde o interesse público, os postos de trabalho, o investimento realizado e o futuro deste projeto", esperando que "seja possível retomar a atividade o mais rapidamente possível, idealmente nos próximos dias, tendo em conta a programação cultural já assumida, os compromissos com artistas nacionais e internacionais, fornecedores, trabalhadores e todos aqueles que dependem desta atividade".

Refere ainda que nos últimos dias tem "recebido inúmeras manifestações de apoio por parte da comunidade (...)", como "trabalhadores, comerciantes, moradores, clientes e visitantes que reconhecem o impacto positivo que este espaço teve na recuperação de uma zona durante anos sem atividade".

"Estão igualmente a ser promovidas iniciativas de apoio por parte da comunidade, incluindo uma recolha de assinaturas em defesa da continuidade do projeto", aponta.

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