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Câmara de Setúbal quer transporte marítimo para as praias da Arrábida em 2027

Objetivo é reduzir a pressão automóvel nos acessos rodoviários e garantir uma alternativa sustentável aos banhistas.

12 de junho de 2026 às 21:52

A Câmara de Setúbal pretende criar ligações marítimas às praias da Arrábida, com tarifas equivalentes às do passe Navegante a partir de 2027, como alternativa aos constrangimentos rodoviários deste ano, revelou hoje a vice-presidente do município.

"É um projeto para desenvolver para o próximo ano", afirmou à agência Lusa Maria do Carmo Tiago, acrescentando que o município já iniciou contactos com operadores privados que manifestaram disponibilidade para assegurar o serviço.

Segundo a autarca, a Câmara de Setúbal está a desenvolver o projeto de transporte marítimo para as praias da Arrábida com o objetivo de reduzir a pressão automóvel nos acessos rodoviários e garantir uma alternativa sustentável aos banhistas.

A autarquia, acrescentou Maria do Carmo Tiago, pretende que o serviço opere com "preços idênticos aos dos transportes públicos abrangidos pelo passe Navegante", embora a concretização dessa solução dependa ainda de articulação com outras entidades, designadamente com a Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML).

A proposta surge na sequência dos problemas provocados pelas tempestades que atingiram o concelho nos primeiros meses do ano e que agravaram a instabilidade das arribas, obrigando ao condicionamento da circulação automóvel em diversos troços da estrada da Arrábida, por razões de segurança.

Maria do Carmo Tiago explicou ainda que a implementação do transporte marítimo exigirá a construção de infraestruturas de apoio à atracação e desembarque de passageiros junto das praias, razão pela qual a solução não poderá avançar já nesta época balnear.

A vice-presidente da Câmara de Setúbal revelou ainda que entre as intervenções mais urgentes está a reparação do talude que abateu junto aos acessos à Praia de Albarquel, obra que terá um custo de cerca de 6,9 milhões de euros, segundo a última estimativa do município.

Para a Câmara de Setúbal é também necessária a resolução do problema de um maciço rochoso com cerca de duas mil toneladas que estará em risco de derrocada, entre as praias da Figueirinha e de Galapos.

Para tentar dar resposta a estes problemas, a Câmara de Setúbal já apresentou ao Governo e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT) uma estimativa global de cerca de 50 milhões de euros para a recuperação dos estragos provocados pelas intempéries de janeiro e fevereiro em todo o concelho.

"Esse montante inclui intervenções na Arrábida, nomeadamente na zona do maciço rochoso e das arribas entre Albarquel e a Figueirinha, mas também obras de reparação e estabilização noutras áreas afetadas do concelho, incluindo freguesias da zona de Azeitão", disse Maria do Carmo Tiago.

A Câmara de Setúbal espera recorrer a financiamento público para suportar os investimentos, no âmbito das linhas de apoio criadas pelo Governo para fazer face aos prejuízos causados pelos fenómenos meteorológicos extremos registados no início do ano.

Até final da época balnear está proibida a circulação de viaturas particulares nos acessos às praias de Albarquel e da Figueirinha, todos os dias, tal como os acessos às praias do Portinho da Arrábida, Creiro e Galapos, entre as 07:00 e as 20:00.

Além destas restrições no acesso às praias, mantém-se a interdição da circulação de pessoas e de viaturas na Rua Círio da Arrábida, entre o túnel da Figueirinha e a praia de Galapos, que está em vigor desde 08 de fevereiro de 2023 devido ao perigo de derrocada de um maciço rochoso.

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