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Câmara de Valongo diz que é a ferrovia e não transportes grátis que resolverão mobilidade na Área Metropolitana no Porto

Para Paulo Esteves Ferreira, as pessoas "querem um meio de transporte fiável e previsível e esse tem que ser o comboio e, principalmente, tem que ser o metro".

10 de julho de 2026 às 16:47

O presidente da Câmara de Valongo defendeu esta sexta-feira que não é a gratuitidade que vai resolver os problemas de mobilidade na Área Metropolitana no Porto (AMP), mas sim a ferrovia ligeira ou pesada, pois evita o trânsito rodoviário.

"Não tem a ver com a gratuidade do [passe metropolitano] Andante. Eu acho que não é isso que vai resultar. Até porque em tempos já houve uma redução significativa do valor do Andante e não atirou todas as pessoas do carro para o autocarro", disse esta sexta-feira Paulo Esteves Ferreira (PS), na abertura da conferência de abertura da Entre Linhas - Festa do Ferroviário, que decorre até domingo no Fórum Cultural de Ermesinde, Valongo, com organização da autarquia.

Segundo o autarca, que falava após esta manhã ser conhecido que os residentes no Porto vão poder viajar gratuitamente nos transportes públicos de toda a AMP a partir desta sexta-feira, a redução de preços dos passes anterior, feita em 2019, não levou pessoas dos carros para os autocarros, "porque eles andam todos na mesma faixa".

"Nós temos agora os táxis, os TVDE [Transporte Individual e Remunerado de Passageiros em Veículos Descaracterizados a partir de Plataforma Eletrónica], e já muita gente utiliza. Mas parece-me um problema. Não sabem a que horas vão chegar, porque é imprevisível, porque todos partilham o mesmo canal, e quando todos partilham o mesmo canal, todos eles se vão atrasar uns aos outros", argumentou.

Para Paulo Esteves Ferreira, as pessoas "querem um meio de transporte fiável e previsível e esse tem que ser o comboio e, principalmente, tem que ser o metro", reforçando uma das suas principais reivindicações, a chegada do Metro do Porto ao concelho de Valongo, rejeitando que tal seja "um capricho de um autarca".

"O metro e o comboio têm características diferentes, previsíveis e são fiáveis. Andam em canais dedicados. Os dois andam em cima de um carril e não anda mais ninguém naquele espaço. Só anda o metro ou só anda o comboio", notou.

Sendo o tema da conferência o "Território dos 15 minutos - Ferrovia, Metro e Mobilidade para o futuro - do património ferroviário à mobilidade sustentável e integrada", Paulo Esteves Ferreira notou que atualmente há famílias com "dois, três e às vezes quatro carros", em cidades "construídas nos anos 70 e 80 que não imaginavam que hoje teríamos tantos carros".

Segundo o autarca, "o canal disponível ao público não é suficiente para tanto carro", e já "não é só pelo andar, já nem é suficiente para estacionar".

"Se queremos que as pessoas abdiquem desse carro, que lhes dá a liberdade, que lhes dá conforto, que lhes dá a autonomia de sair à hora que querem - já não sei para que horas é que vão chegar, porque esse é o problema do trânsito automóvel - nós só podemos resolver isto com uma alternativa que seja efetivamente previsível", defendeu.

Para o autarca eleito pelo PS, "o que é necessário é começar a olhar para a ferrovia, quer no modo do comboio, quer no modo do metro, como complementares" e não como concorrentes, pois "não são projetos que devem estar de costas voltadas".

Também o comissário da conferência, o deputado José Carlos Barbosa (PS), considerou que os 20 milhões previstos para financiar os transportes gratuitos para os residentes no Porto "davam para comprar três comboios por ano".

"Uma pessoa quando tem de escolher ir para o transporte público, não vai porque é de borla, vai porque tem alta frequência. Baixar de 30 euros para zero não vai trazer mais gente. Vai haver pessoas que vão andar mais vezes, mas a maior parte das pessoas, quem tiver alguma capacidade financeira, não muda para o transporte público porque aquilo é de borla", disse.

Por outro lado, "muda se aumentar a frequência, se melhorar o serviço, se se der melhores soluções ao serviço", considerou.

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