Pedido acontece no âmbito das comemorações do bicentenário da independência do país.
A Câmara Municipal do Porto autorizou a trasladação do coração de D. Pedro para o Brasil, no âmbito das comemorações do bicentenário da independência deste país, anunciou esta quarta-feira o presidente.
Em conferência de imprensa, o presidente da Câmara do Porto, o independente Rui Moreira, referiu que a data da trasladação do coração deverá ainda ser acertada com o governo brasileiro.
Além disso, o autarca salientou que a avaliação científica ao coração pedida ao Instituto de Medicina Legal do Porto, com o intuito de aferir o seu estado e se pode efetivamente ser trasladado para o Brasil em setembro, ainda não está concluída havendo, contudo, já a indicação de que pode "fazer a viagem".
A 30 de maio, o embaixador brasileiro George Prata, um dos coordenadores das comemorações do bicentenário da independência do Brasil, anunciou que o governo do seu país tinha enviado um pedido oficial a Portugal para a trasladação do coração de D. Pedro. Disse também que, se a trasladação fosse possível, a ideia é que, "em primeiro, o coração vá para Brasília", capital do país.
O rei D. Pedro I do Brasil e D. Pedro IV para Portugal foi o monarca que conduziu o Brasil, antiga colónia portuguesa, à independência e cujo corpo se encontra na cidade brasileira de São Paulo.
Após o pedido oficial do governo brasileiro para a cedência do coração de D. Pedro IV, no âmbito das cerimónias do bicentenário da independência do Brasil, a Câmara Municipal do Porto solicitou ao Instituto de Medicina Legal do Porto uma avaliação científica ao coração, com o intuito de aferir o seu estado e se pode efetivamente ser translado para o Brasil em setembro.
O estudo ao coração de D. Pedro IV realizou-se ao longo do último mês e envolveu ainda um conjunto de investigadores da Universidade do Porto, nomeadamente da Faculdade de Medicina da U.Porto (FMUP) e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS).
O coração que D. Pedro IV doou ao Porto não está guardado a sete chaves, mas são precisas cinco, mais mil cuidados e uma complexa operação para o retirar do mausoléu da igreja da Lapa, como aconteceu em 2009.
A descrição foi feita em 2013 à Lusa por Ribeiro da Silva, historiador e mesário da Ordem da Lapa, alertando para a fragilidade do coração do "Rei Soldado", que morreu em Queluz em setembro de 1834 e chegou ao Porto em fevereiro de 1835.
"Não podemos vê-lo porque o coração é órgão frágil e este tem muitos anos. Receamos que possa estar em estado precário. As operações são muito complexas, tudo isso agita muito e temos receio de um mau resultado. Tentamos que se abra o menos possível", observou o professor, em entrevista à Lusa.
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