Centenas de tratores bloqueiam o trânsito na Estrada Nacional 260.
Camionistas espanhóis retidos na fronteira de Vila Verde de Ficalho, concelho de Serpa (Beja), devido ao corte da Estrada Nacional 260 (EN260) por agricultores alentejanos, disseram esta quinta-feira compreender o protesto, restando-lhes só a opção de regressarem à base.
"Não sabia nada do protesto. Se tivesse informação antes, não tinha vindo até aqui, certamente que o nosso chefe nos teria dito que não saíamos da base", afirmou à agência Lusa Mário Matei, um dos poucos camionistas espanhóis que, no sentido da estrada de quem vem do pais vizinho, ainda permanece junto do bloqueio de tratores.
Só mais uns poucos camionistas ainda estão estacionados nessa zona, na esperança de que a estrada seja desbloqueada em breve, mas Mário, vindo de Sevilha e que levava um camião com um contentor para a Azambuja, já tomou uma decisão.
"A minha empresa já me disse para dar a volta, mal possa, e ir embora de volta a Espanha e é o que vou fazer", afiançou, explicando ter chegado, às 06h00, ao bloqueio que os agricultores montaram na EN260, logo por volta das 03h00, com recurso sobretudo a tratores e máquinas agrícolas, atravessados na via, em filas consecutivas.
Apesar do transtorno, porque, como não vai chegar ao destino da sua viagem, não vai cobrar, Mário Matei mostrou-se solidário com os 'homens da terra' alentejanos, com os quais não conversou, nem se aproximou.
"Cada um reivindica aquilo que lhe é conveniente e pronto. Estão no seu direito e nós também estamos no nosso direito de dar a volta e irmos para trás. Quando nós, os camionistas, tivemos de reivindicar, também protestámos, portanto, cada um com o seu", argumentou.
A EN260 está cortada nos dois sentidos ainda a alguns quilómetros de distância do país vizinho, onde a primeira localidade, para quem chega a Espanha vindo de Portugal, é Rosal de La Frontera, 'habituada' a esta convivência entre espanhóis e portugueses.
Antes de sair de Portugal, constatou a Lusa, que se deslocou à povoação espanhola, dois elementos da GNR estão a fazer policiamento e a impedir a passagem para território luso.
Do lado espanhol, num posto de abastecimento de combustível é logo possível ver uns cinco camiões estacionados e, num parque mais à frente, à entrada de Rosal de La Frontera, onde elementos da Guardia Civil também avisam os automobilistas e camionistas do bloqueio em Portugal, estão à volta de mais 20 camiões parados, até porque o espaço não dá para mais.
Sentados num muro, junto dos camiões, a apanharem o sol da manhã, um grupo de camionistas vai trocando ideias sobre o protesto e qual a duração expectável do mesmo.
David Castellano faz parte de um grupo de três camionistas vindo de Huelva, em direção ao Barreiro, cujos camiões transportam adubo para campos agrícolas. Já estiveram na fila junto dos tratores, mas conseguiram regressar a Rosal e, agora, aguardam ordens do chefe para regressar à base.
"Entendo perfeitamente o protesto dos agricultores. Toda a gente devia juntar-se, porque, quantos mais nos juntarmos, mais fortes seremos e mais chegaremos a soluções. Ao fim e ao cabo, o problema é para todos, em todas as nossas casas temos os problemas que os agricultores também têm", defendeu.
Os agricultores estão esta quinta-feira na rua com os seus tratores, de norte a sul, reclamando a valorização do setor e condições justas, num protesto que deverá bloquear várias estradas, tal como tem acontecido em outros pontos da Europa.
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