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Alertando para uma situação de "falta de Estado na Mouraria", o munícipe disse que a população se sente insegura nesta zona da cidade, inclusive sofre agressões verbais e físicas.
A zona da Mouraria, em Lisboa, "é mais do que prioritária" quanto ao combate ao tráfico e consumo de drogas, afirmou esta quarta-feira o presidente da Câmara Municipal, Carlos Moedas (PSD), após um munícipe ter alertado para situações "bastante graves".
"A Travessa da Madalena, neste momento, é uma sala de chuto a céu aberto, sala de 'swing' às vezes, casa de banho, sala onde também selecionam o que conseguem roubar aos turistas e outras pessoas, tem lixo, dejetos", disse o munícipe Hugo Gonçalves, no período aberto ao público durante a reunião pública da Câmara de Lisboa.
Alertando para uma situação de "falta de Estado na Mouraria", o munícipe disse que a população se sente insegura nesta zona da cidade, inclusive sofre agressões verbais e físicas.
Além de expor o problema, Hugo Gonçalves propôs soluções, como "colocar portões" nas ruas de acesso à Travessa da Madalena, referindo que "há uma rua contígua e também várias ruas em Alfama e também na Mouraria que têm portões".
O lisboeta referiu ainda que nesta zona há um prédio "com andaimes há mais de 20 anos", que é da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, e que podia ser utilizado para "fazer uma sala de assistência, de chuto, à semelhança do que há na Rua dos Cavaleiros".
Ainda segundo Hugo Gonçalves, outra dos problemas na Mouraria concentra-se na Rua Marquês de Ponte de Lima Rua e no Largo do Terreirinho, onde a situação "é mais complexa", com tráfico de droga.
"O tráfico tomou conta daquela zona e ali não há mesmo Estado, não há EMEL, não há Polícia Municipal, o estacionamento é dos traficantes", afirmou.
Para esta situação, o munícipe afirmou que não basta o reforço do policiamento e sugeriu a instalação de um posto móvel da Polícia de Segurança Pública (PSP) ou da Polícia Municipal.
Em resposta, o presidente da Câmara, Carlos Moedas (PSD), assegurou: "Conheço bem a situação, porque já lá estive várias vezes."
O autarca ressalvou que o ponto prévio à resposta a este problema é ter mais polícia na cidade, porque sem esse reforço dos elementos da PSP e da Polícia Municipal "é muito difícil", e destacou como boa notícia o incremento de "mais 100 polícias municipais e mais 200 PSP agora em julho".
Sobre as propostas do munícipe, Carlos Moedas manifestou disponibilidade para avaliar "a solução de eventualmente pôr uma cancela ou um portão ou o que seja" para restringir a entrada na Travessa da Madalena.
"Faz-me sentido neste momento", admitiu, referindo que o problema dos consumos de drogas na cidade, sobretudo depois da pandemia de covid-19, registou "um aumento imenso".
Em concreto sobre a Mouraria, o autarca reconheceu que a "zona é mais do que prioritária, porque o que se está a passar ali não pode acontecer".
"É caso de bradar, isto é um caso grave, salientou.
Com o pelouro do Desenvolvimento Social, a vereadora Maria Luísa Aldim (CDS-PP) reforçou que a resposta à problemática dos consumos de drogas "é prioritária" e defendeu que é preciso acompanhar a realidade, "que é bastante distinta daquela que a cidade já tinha conhecido nos consumos noutros tempos".
"Estamos em articulação com o ICAD [Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências] para encontrar uma resposta o mais rapidamente possível para a Mouraria, mas também estamos, naturalmente, preocupados em tentar encontrar um acompanhamento maior, porque nem todas as soluções desaparecem com o enquadramento de uma nova sala de consumo", declarou, acrescentando que o executivo está a atuar em várias frentes, para mitigar os riscos, inclusive na área da higiene urbana.
Após a intervenção dos munícipes, os vereadores sem pelouro criticaram a falta de resolução de problemas identificados, em alguns casos há mais de um ano, vários deles relacionados com a falta de condições habitacionais em bairros municipais, geridos pela Gebalis.
A oposição apelou ainda ao executivo para que os casos de munícipes que pedem para não ser gravados para a transmissão da reunião na Internet - não raras vezes casos de vítimas de violência - sejam recebidos em privado, para que não tenham de se expor numa sala com dezenas de pessoas.
Os vereadores sem pelouro reiteraram também as queixas sobre o atual regimento das reuniões da CML, aprovado então pela liderança minoritária PSD/CDS-PP/IL com o apoio do Chega, que retirou tempo à oposição para intervir no período de audição de munícipes.
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