Autarquia explica que casa constitui perigo para a via pública e por isso vai ser demolida esta manhã.
A casa onde nasceu e viveu o antigo primeiro-ministro Mota Pinto (1936-1985) vai ser este sábado demolida por questões de segurança, anunciou o município do distrito de Leiria, gravemente afetado pela depressão Kristin.
Numa informação colocada nas redes sociais, a autarquia anunciou a demolição, por motivos de segurança, da casa, que "constitui perigo para a via pública", estando os trabalhos previstos decorrer na manhã de este sábado.
O estado do edifício agravou-se com o mau tempo registado desde o dia 28 de janeiro, quando a depressão Kristin atingiu o concelho, disse à agência Lusa fonte da autarquia.
Carlos Mota Pinto foi primeiro-ministro de 22 de novembro 1978 a 07 de julho de 1979, segundo o sítio na Internet do PSD, partido do qual foi presidente entre março de 1984 e fevereiro de 1985.
"Licenciado e doutorado em Ciências Jurídicas na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, tornou-se professor nesta faculdade e noutras universidades portuguesas e estrangeiras", de acordo com a mesma fonte.
Militante do PPD desde a sua fundação, Mota Pinto foi ainda eleito deputado à Assembleia Constituinte em 25 de abril de 1975 e nomeado presidente do Grupo Parlamentar do PPD em 17 maio no mesmo ano.
Foi também ministro do Comércio e Turismo no I Governo Constitucional, primeiro-ministro do IV Governo Constitucional e ainda vice-primeiro ministro e ministro da Defesa no IX Governo Constitucional de 1983 a 1985, ano em que morreu, com 48 anos, em Coimbra.
Em maio de 2010, quando passavam 25 anos sobre a morte de Mota Pinto, o município de Pombal, então liderado por Narciso Mota, lançou uma medalha evocativa do antigo chefe do Governo e apresentou o projeto do Centro de Estudos Carlos Alberto da Mota Pinto.
Três anos mais tarde, o então primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, procedeu ao lançamento da primeira pedra do centro, entretanto designado de Casa Mota Pinto.
Em outubro de 2023, o presidente da Câmara de Pombal, Pedro Pimpão, reeleito em 2025, declarou à Lusa que estava em curso a revisão do projeto.
Segundo Pedro Pimpão, nesse mandato a autarquia tentou "encetar negociações para comprar o imóvel que está contíguo à Casa Mota Pinto".
"O projeto inicial que tínhamos em mãos não nos permitia fazer a cave na estrutura da Casa Mota Pinto, então a ideia era aumentar a [sua] amplitude, alargando ao imóvel que está contíguo", declarou na ocasião, lamentando que a aquisição não tenha sido possível concretizar por "questões judiciais relativamente à propriedade" do imóvel.
Pedro Pimpão assegurou então que a Câmara queria iniciar a requalificação do espaço no decurso desse mandato, salientando ser "importante que o legado histórico, académico, político e cívico de Carlos Alberto Mota Pinto possa ter um espaço digno em Pombal".
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.
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