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Células cerebrais continuam a formar-se até ao fim da idade adulta

Segundo os especialistas, nos humanos adultos as chamadas células progenitoras de neurónios, são semelhantes às de ratos, porcos e macacos.

03 de julho de 2025 às 19:21

As células da região cerebral do hipocampo, essencial para a aprendizagem e memória, continuam a formar-se até ao final da idade adulta, conclui um estudo esta quinta-feira divulgado que pode ter implicações no tratamento de doenças neurodegenerativas.

Há 12 anos, um grupo de investigação do Instituto Karolinska, na Suécia, demonstrou, medindo os níveis de carbono-14 (isótopo radioativo do carbono) no ADN de tecido cerebral, que se podem formar novos neurónios (células cerebrais) no hipocampo de humanos adultos.

Agora, no estudo esta quinta-feira publicado na revista científica Science, o mesmo grupo identificou no tecido cerebral de pessoas com idade até aos 78 anos diferentes estádios de desenvolvimento neuronal no hipocampo, desde células estaminais (células que se diferenciam noutras células) a neurónios imaturos, muitos dos quais em fase de divisão.

Por outro lado, a equipa conseguiu "identificar as células de origem, o que confirma que há uma formação contínua de neurónios no hipocampo do cérebro adulto", segundo o investigador Jonas Frisén, que liderou o estudo, citado em comunicado pelo Instituto Karolinska.

De acordo com os resultados do trabalho, que recorreu a técnicas de análise genética e das propriedades celulares, nos humanos adultos as células de origem de novos neurónios, as chamadas células progenitoras de neurónios, são semelhantes às de ratos, porcos e macacos, mas existem algumas diferenças quanto aos genes que estão ativos.

Nos humanos há também "grandes variações", com alguns adultos a terem muitas células progenitoras neuronais e outros quase nenhumas, salienta o comunicado do Instituto Karolinska.

Para o coordenador da investigação, Jonas Frisén, tais resultados constituem "uma peça importante" para "compreender como o cérebro humano funciona e se transforma ao longo da vida".

Jonas Frisén destacou, ainda, que o estudo "pode também ter implicações para o desenvolvimento de tratamentos regenerativos que estimulem a neurogénese [formação de novos neurónios] em perturbações neurodegenerativas e psiquiátricas".

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