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"Cenário de guerra" em Portalegre deixa bispo preocupado com conclusão de obra diocesana

Centro Social Diocesano de Santo António tem em curso uma obra para criar um infantário, creche e tempos livres.

06 de fevereiro de 2026 às 12:05

O bispo da Diocese Portalegre- Castelo Branco considerou esta sexta-feira "praticamente impossível" encontrar soluções rápidas para resolver os danos causados na quinta-feira numa obra diocesana, em Portalegre, pela depressão Leonardo.

"Está uma obra em curso, com prazos para cumprir e é praticamente impossível, mesmo um bispo, não acredita suficientemente em milagres para esperar soluções rápidas numa situação catastrófica como esta que se pode ver", disse, considerando que a cidade alentejana viveu um "cenário de guerra e de destruição", com os danos causados pela água, lama e pedras provenientes da Serra de São Mamede.

O Centro Social Diocesano de Santo António tem em curso uma obra na avenida de Santo António, a mais afetada, com o objetivo de criar um infantário, creche e tempos livres, no antigo edifício da Escola Superior de Saúde.

O projeto, com um investimento de cerca de dois milhões de euros, é financiado "em menos de metade" pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Segundo Pedro Fernandes, a conclusão da obra tem como "prazo limite o final do mês de junho" e o centro social esperava cumprir todos esses prazos estipulados.

A Câmara de Portalegre indicou na quinta-feira que o 'mar de lama', com pedras à mistura, vindo da Serra de São Mamede, na sequência da passagem da depressão Leonardo, provocou danos em 52 automóveis, tendo também sido registados prejuízos em edifícios.

Fonte do Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Alto Alentejo especificou que os locais mais atingidos na cidade foram a avenida de Santo António e a entrada principal do Hospital de Portalegre, tendo o alerta sido dado às 06:49.

"A ribeira galgou as margens e essa inundação fez literalmente os carros virem barreira abaixo", arrastando veículos, detritos e pedras, disse a mesma fonte, revelando que a entrada principal do hospital "ficou inoperacional".

Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.

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