Há centenas de idosos que, uma vez obtida alta hospitalar, esperam vários meses na cama de um hospital para que lhes seja encontrada um solução para viver. A espera resulta de abandono por ausência de família ou por falta de condições dos familiares para ter o idoso.
Só no Centro Hospitalar de Lisboa Central, entidade que integra os hospitais de São José, Capuchos e Santa Marta, foram registados no ano passado 245 doentes com alta protelada por motivos sociais.
Os doentes aguardam a reorganização do apoio familiar, ou, quando tal não é possível, são encaminhados para lares, referenciados para apoio domiciliário. O Centro Hospitalar de Lisboa Central regista um decréscimo dos doentes nestas circunstâncias: em 2009 houve 317 doentes e em 2008 foram registados 335 doentes, divulgou o gabinete de comunicação do centro hospitalar.
Também na Grande Lisboa, no Hospital Fernando Fonseca - que abrange doentes do concelhos de Sintra e Amadora -, havia, em Dezembro, 43 doentes adultos, na esmagadora maioria idosos, que permaneciam no hospital embora tivessem tido alta hospitalar. "São situações de utentes que vivem sozinhos e precisam de cuidados médicos, ou cujos familiares confessam não ter condições económicas para colocar o idoso num lar", revelou fonte do hospital.
No Hospital de Santarém, em 2010 registaram-se seis casos de doentes com alta em que houve dificuldade em estabelecer contacto com os familiares. No ano anterior, registaram--se quatro casos. Por sua vez, no Hospital Espírito Santo, em Évora, há neste momento registo de oito idosos sem solução para viver no exterior do hospital, e no Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, são cinco os casos.
Dois a três casos considerados pontuais foram, por sua vez, registados pelo Serviço Social dos Hospitais da Universidade de Coimbra, em 2010.
HOSPITAL SÃO JOÃO CONTROLA FAMÍLIA
O Hospital São João, no Porto, estabeleceu um sistema de triagem em que à entrada dos doentes idosos efectua um contacto estreito com a família a fim de evitar que, na hora de ter alta, o doente não seja confrontado com uma situação de abandono. Um método que tem produzido resultados na redução dos casos de doentes com alta protelada por motivos sociais, divulgou a Unidade de Acção Social deste hospital. O Hospital do Porto revela que 25% das 450 pessoas que entram diariamente nas Urgências têm mais de 65 anos. Também em Lisboa é elevado o número de idosos. O Curry Cabral é um dos exemplos, onde cerca de 10% das camas ocupadas estão preenchidas com idosos que integram os chamados casos sociais, que, embora tenham alta, não reúnem condições para viver fora do hospital.
MENSALIDADES ATINGEM OS 1200 EUROS EM LISBOA
Os casos mais frequentes de idosos que ocupam camas dos hospitais, embora tenham alta, são situações de pessoas que vivem sozinhas e após o internamento não reúnem condições para regressar ao domicílio, divulgou fonte do gabinete de comunicação dos Hospitais da Universidade de Coimbra. Em segundo lugar surgem os casos de idosos com familiares, mas cuja dependência, nomeadamente a alimentação com sonda ou a necessidade permanente de acompanhamento impede a família de os ter em casa. Com a prática de mensalidades pelos lares de cerca de 1200 euros na área da Grande Lisboa, muitas famílias recorrem ao apoio económico junto da acção social da Segurança Social. No serviço social do hospital Amadora-Sintra, em 2010, foram atendidos cerca de 3500 idosos.
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