Protesto foi convocado pela Interjovem da CGTP.
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Largas centenas de manifestantes desfilaram este sábado e em Lisboa contra o pacote laboral do Governo, num protesto convocado pela Interjovem da CGTP, que levou para a rua o receio de uma precariedade que se eternize.
Já depois das 15h00, a hora marcada para o início da manifestação, centenas de jovens, mas não só, que preenchiam a Praça da Figueira arrancaram em direção ao Campo das Cebolas, onde cerca de uma hora depois terminou o desfile marcado por muitas bandeiras, bombos e muitas palavras de ordem contra o pacote laboral que o Governo quer fazer aprovar, como "Só mais um empurrão e o pacote vai ao chão".
"[Este pacote laboral] é particularmente grave, procura impor tudo aquilo que um jovem trabalhador neste momento não precisa. Num país onde mais de metade dos jovens trabalhadores têm vínculos precários, este pacote procura estender as motivações para essa precariedade e eternizar essa situação", disse à Lusa o coordenador da Interjovem, a organização da intersindical CGTP dedicada aos jovens.
Para Gonçalo Paixão, "esta luta de hoje é uma grande resposta que os jovens trabalhadores dão contra este pacote laboral" e "um momento em que o primeiro-ministro e o Governo devem ouvir os jovens e, de facto, recuar na íntegra com o pacote laboral".
O secretário-geral da intersindical CGTP, Tiago Oliveira, marcou presença no protesto, desfilando na frente da manifestação, ao lado dos jovens "que hoje estão no mundo do trabalho e que querem um futuro diferente", contra o pacote laboral que está desde o início a ser negociado sem a presença da CGTP, com a intersindical a atribuir esse afastamento ao executivo e a um "objetivo político" de "degradar ainda mais" as condições de trabalho.
"O Governo aquilo que está a demonstrar é que não está cá para servir o povo, está cá para servir meia dúzia, está cá para servir aqueles que todos os dias vêm para a comunicação social esfregar as mãos de contentes com este pacote laboral e quem o está a fazer são os patrões, as grandes empresas, os grandes grupos económicos. Isso demonstra bem aquilo que é o conteúdo deste pacote laboral", disse à Lusa Tiago Oliveira.
Em cima da mesa, acrescentou, continuam todas as formas de luta, incluindo uma nova greve geral, mas para já está convocada uma manifestação nacional para 17 de abril.
Ao lado de muitos turistas, que assistiam surpreendidos, curiosos e de telemóvel em riste, à passagem do desfile da Interjovem, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, marcou presença no protesto, uma demonstração de "participação e combatividade" dos jovens contra o pacote laboral do Governo que, disse, é para "fazer cair".
"O Governo, desde a primeira hora, nunca quis negociar nada. Tudo o resto foi manobras", disse Paulo Raimundo, criticando a exclusão da CGTP das negociações.
"Governo quer impor. Quer pôr pela janela aquilo que não conseguiu pôr pela porta. E vai levar isso para a Assembleia da República. [...] O Governo precisa perceber que mexer na legislação laboral, aumentar ainda mais a repressão, aumentar ainda mais as dificuldades de quem trabalha, é decretar a sua derrota política e social. E, portanto, se quiser insistir nessa loucura, vai ter de assumir as consequências. Não é só o Governo, é o Governo e quem o acompanha nessa loucura", afirmou, apontando ao Chega e à Iniciativa Liberal.
Unidos em preocupações comuns, foram vários os protestos setoriais que quiseram este sábado marcar presença na manifestação, como a Juventude Operária Católica. O seu presidente, Pedro Esteves, disse que a organização que lidera acredita "na melhoria das condições dos trabalhadores e também na condição de dignidade desse mesmo trabalhador".
"Este pacote em nada defende aquilo que [são] as necessidades da juventude trabalhadora. Neste caso, promove os contratos a prazo, os contratos temporários, promove a precariedade e não a estabilidade que os jovens precisam. Os jovens, hoje em dia, precisam de estabilidade e não de mais precariedade", disse, mostrando-se satisfeito com a "massa popular de jovens" que encontrou nas ruas.
Em representação do Sindicato Nacional dos Psicólogos, Mariana Guerra manifestou-se preocupada com o estágio profissional imposto no início de carreira, que se transformou "num entrave" ao início da carreira e que leva a que muitos desistam antes mesmo de começar, denunciando "condições escabrosas e indignas" a que muitos se sujeitam para poderem aceder à profissão.
Margarida Timóteo, ainda a estudar, revelou-se preocupada com a dificuldade em encontrar "um sítio digno" para estagiar" e é também uma entre os muitos a quem a precariedade ensombra o futuro.
O presidente da Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC), João Neto, sublinhou à Lusa a "posição bastante enfraquecida" destes trabalhadores em comparação com os que têm um contrato de trabalho e considerou o pacote laboral proposto pelo executivo um reforço desse enfraquecimento.
O representante da ABIC disse que "a precariedade na ciência é a regra, em vez da exceção" e que o pacote laboral pode levar os bolseiros a permanecer nessa condição "a vida toda", situação que já se verifica, com "bolseiros, trabalhadores científicos a andarem de bolsa em bolsa, sem nunca ter nenhum contrato de trabalho".
"Isso não nos parece justo para nós. O que nós queremos é a reversão do estatuto de bolseiro e não queremos que este pacote passe, porque, efetivamente, a nossa luta é para sermos trabalhadores e queremos ser trabalhadores com condições e não queremos que os trabalhadores tenham as condições dos bolseiros, que é na prática o que estamos a ver acontecer", concluiu.
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