Instituição diz estar "sem soluções" e "sem pessoal".
O Centro Social e Paroquial de Oliveira do Douro, concelho de Vila Nova de Gaia, diz estar "sem soluções" e "sem pessoal" na instituição, que contabiliza um morto e 56 infetados com covid-19, entre utentes e funcionários.
"Neste momento não temos solução para suprir a falta de colaboradores no cuidado aos utentes. Toda a falta de apoio e descoordenação entre as entidades responsáveis contribuiu para a situação anómala que nos entristece e penaliza, porquanto desde há muito temos conscientemente procurado sem tréguas combater", lê-se num comunicado enviado à agência Lusa e assinado pela direção do centro social.
Na mesma nota, enviada de madrugada à redação, a direção regista uma vítima mortal e 56 infetados, 15 deles colaboradores.
Contactado pela Lusa, o presidente do Centro Social, o padre António Teixeira, referiu esta manhã que sete utentes estão internados no Hospital Santos Silva, em Vila Nova de Gaia (distrito do Porto), e confirmou a "exaustão" da equipa.
"Falta pessoal. Falta mão de obra. Falta quem cuide. Neste momento tenho oito a cuidar, cinco deles da casa e três voluntários. À tarde chegam um médico e uma enfermeira. A equipa está exausta. Estamos em permanente contacto com o delegado de saúde e com o hospital. Dizem-nos que temos de proceder como a Direção-Geral da Saúde manda, ou seja, isolar os utentes e aguardar, mas a Direção-Geral da Saúde não vem ao terreno para ver o que se passa", referiu António Teixeira.
Já no comunicado, a direção do Centro Social de Oliveira do Douro faz críticas a várias entidades e acusa-as de não estarem a ser "atuantes e assertivas", apontando o dedo à Junta de Freguesia e à Câmara Municipal, à Delegação de Saúde e à Segurança Social.
"Em boa verdade, estas entidades não pautaram a sua ação com proficuidade que uma situação de incerteza necessariamente exigiria. Em suma, não temos tido os apoios dos que haveriam de fornecer", lê-se no comunicado.
A agência Lusa contactou o presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, que assegurou estar a acompanhar a situação.
"Acabo de vir de lá e de fazer um ponto de situação com o senhor padre. O que me transmitem é que a situação está controlada, mas sim, há falta de técnicos e encontrar funcionários nesta fase é muito complicado. A Câmara entregou equipamentos de proteção individual e está a fazer tudo quanto pode. Mal - e se - as autoridades de saúde decidirem retirar os idosos do lar, a Câmara terá resposta", afirmou.
Confrontado com as críticas da direção, Eduardo Vítor Rodrigues disse que "a Câmara não pode tomar atitudes de modo próprio e à revelia das autoridades de saúde", aproveitando para, confirme o próprio referiu, "negar o boato de que os idosos tenham sido transferidos durante a noite ao frio para a igreja.
A pandemia do novo coronavírus já matou 96.340 pessoas em todo o mundo e infetou quase 1,6 milhões em 193 países e territórios desde o início da pandemia, em dezembro passado, na China.
Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.
Portugal regista esta sexta-feira 435 mortos associados à covid-19, mais 26 do que na quinta-feira, e 15.472 infetados (mais 1.516), indica o boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS).
O relatório da situação epidemiológica, com dados atualizados até às 24:00 de quinta-feira, indica que a região Norte é a que regista o maior número de mortos (240), seguida da região Centro (107), da região de Lisboa e Vale do Tejo (78) e do Algarve, com oito mortos.
O boletim dá conta de dois óbitos nos Açores.
Relativamente a quinta-feira, em que se registavam 409 mortos, observou-se um aumento de 6,4% (mais 26).
De acordo com os dados disponibilizados pela DGS, há 15.472 casos confirmados, mais 1.516, o que representa um aumento de 10,9% face a quinta-feira.
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